A Feiticeira da Guerra

Kim Nguyen não nomeia o país em que se passa a história de seu filme. Tudo o que o espectador sabe é que estamos na África negra, tomada por guerras civis, pelas milícias e pelo misticismo. Uma terra sem nome parece mais adequada para que o cineasta insira os elementos mágicos que costuram a narrativa e que são essenciais para a composição da personagem principal de A Feiticeira da Guerra. Komona, vivida por Rachel Mwanza, de 14 anos, melhor atriz em Berlim, é a única sobrevivente de uma família destruída pelos para-militares. Ela é recrutada como soldado, mas não é abandonada pelos fantasmas dos pais. A capacidade de ver os mortos dá a menina a condição de feiticeira particular do líder da guerrilha.

Se Nguyen inova ao oferecer outra perspectiva sobre o assunto, o suposto lirismo do diretor disfarça alguns maneirismos. Seu filme é fatalista, mas a magia que acompanha a personagem e a história de amor que o longa escreve esconde os determinismos da história. O cineasta condena Komona desde o momento em que a apresenta, o que talvez não esteja muito distante da realidade, mas a forma com que ele desenvolve essa história de uma sobrevivente parece maniqueísta. A dureza da vida da personagem não chega a ser amenizada, mas ganha uma beleza artificial na versão do diretor. O que mais incomoda em A Feiticeira da Guerra é como ele se esforça para encantar.

A Feiticeira da Guerra EstrelinhaEstrelinha
[Rebelle, Kim Nguyen, 2012]

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