A Marcha dos Pingüins é um filme fofo. Esta é sua maior qualidade; esse é seu imenso defeito. Qualidade porque foi esta característica que fez sua fama, que conquistou seu público, que buscou a aproximação. Acho louvável que um diretor procure causar identificação com o espectador. Mas este mérito no documentário de Luc Jacquet não cruza a sala-de-estar. Desde os primeiros momentos em que as vozes dos dos pais pingüins entram em cena, entramos em contato com um dos textos mais piegas dos últimos tempos, um texto quase vergonhoso, embalado numa trilha sub-Björk sem a mínima graça (e com trechos letrados dolorosos).

A própria natureza do ciclo de reprodução dos pingüins já tem drama suficiente para emocionar o público. Tudo é tão bonito, as imagens são tão fortes. Os pezinhos para cima e tudo. Para que então o artifício de “humanizá-los”? É de lascar. Ainda mais quando a intenção é de coopção total, sem retorno, sem alternativa de fuga. No início, eu ainda achei que o resultado seria algo como em Benji, o que já não teria tanto crédito, mas a coisa fica pior porque o roteiro não tem a mínima vergonha de apelar no melhor estilo novelão mexicano. Eu, se fosse um pingüim imperador, me sentiria insultado.

A Marcha dos Pingüins
[La Marche de L’Empereur, Luc Jacquet, 2005]

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19 comentários sobre “A Marcha dos Pingüins”

  1. Por isso deve ter feito sucesso, por dramatizar a vida dis pingüins. Se fosse mais um documentário educativo, científico, dificilmente teria emplacado nos cinemas. É verdade que é recorde de bilheteria na França?

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