A Rede Social

Se existe ousadia em A Rede Social, ela mora no fato de que seu diretor amadureceu. David Fincher não usa nenhum dos artifícios narrativos que fizeram sua fama nos anos 90. Justamente onde eles mais cabiam, num filme sobre internet. Esse novo trabalho é incrivelmente sóbrio para sua temática. Fotografia funcional, montagem comportada; apenas a trilha sonora, assinada por Trent Reznor do Nine Inch Nails, que inclui elementos metálicos, soa diferente. E muito boa, por sinal.

Mas o que realmente chama a atenção no longa sobre a história do Facebook é como Fincher fez um filme simples, com a fluidez pop de sempre, mas sem recalques formais. O cineasta parece estar a serviço do roteiro, que executa com graça, equilibrando humor e melancolia como nunca fez. Mesmo que para isso altere fatos e dê mais espaço para personagens menos importantes, mas mais cinematográficos.

Jesse Eisenberg ofereceu ao projeto sua performance mais furiosa, compondo um personagem nerd vibrante ao mesmo tempo em que abre espaço para um pós-adolescente influenciável e inseguro. Andrew Garfield está tão bom quanto, mas seu personagem perde quando ele some da história. E Justin Timberlake, como o criador do Napster, não fica para trás. Os três parecem estar se divertindo muito sob o comando de Fincher, que fez aqui seu melhor filme desde Zodíaco.

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[The Social Network, David Fincher, 2010]

Comentários

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7 thoughts on “A Rede Social”

  1. Isso é o que é mais incrível em A Rede Social. Um filme que rejeita qualquer cacoete cult bacaninha, mas ainda assim mantém uma narrativa fluida e envolvente. Fincher só amadurece a cada projeto.

  2. o filme é extremamente cansativo, pelo excesso de diálogos e pela forma que foi produzido mesclando ações passadas e futuras, deixando as vezes sem nexo.

  3. Eu tb discordo do autor do post. O filme, cinematograficamente falando, é bastante pobre. As pitadas de não-linearidade não chegam nem perto da montagem do Clube da Luta. A única evidente motivação para assistir à Rede Social é a curiosidade pelo assunto do qual o próprio filme trata.

  4. Marcos, sem nexo? Eu achei ultrasimples.

    Rafael, a montagem rapidinha de “Clube da Luta” era maneirismo dos anos 90. Qualquer filme “moderninho” daquela época tinha que ter uma edição assim. “A Rede Social” tem uma montagem mais comportada, mas muito funcional e sem “estrelismo”.

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