Cédric Klapisch é o autor de pelo menos um filme delicioso. O Gato Sumiu, estrelado por Garance Clavel, mostra que a procura pelo bichano perdido pode resultar numa busca muito maior. Klapisch usa seu poder de convencimento para falar de assuntos sérios de uma maneira bem popular em se tratando de cinema francês. O mais novo trabalho do cineasta utiliza o mesmo método para questionar os efeitos da criação da União Européia e discutir o conceito de identidade. Parece chato, mas não é. Albergue Espanhol é um dos filmes mais pop do ano. Começa com a viagem de um jovem francês para a Espanha, onde vai fazer faculdade, e se desenvolve numa casa onde o protagonista passa a morar com outros cinco estudantes de nacionalidades diversas. Klapisch elabora, então, uma comédia de costumes que, se tivesse sido dirigida nos Estados Unidos, poderia ter se tornado um daqueles filmes teen de conteúdo sexual elevado.

Mas a condução do diretor faz de Albergue Espanhol um filme importante para se entender o papel que o indivíduo e sua cultura ocupam diante do mundo globalizado. A língua, os hábitos, o modo de se comportar diante dessa ou daquela situação perdem a importância numa época em que os limites geográficos estão cada vez mais presos em mapas e distantes da realidade. Xavier, o protagonista, tem que catalisar todas as informações que estão a sua volta e processar um modo de agir, pensar e falar universal e único.

O principal trunfo do filme é fazer com que o espectador adote a república como sua família. Para isso, o diretor usa o humor inteligente (ancorado em recursos de linguagem modernos e usados com parcimônia), muitas vezes hilariante, e a emoção espontânea, cativando pela delicadeza da relação que se estabelece entre os amigos (e ampliado pela insistência melancólica da mais bela música do Radiohead, No Surprises). O elenco, por sinal, sem nomes famosos (Audrey Tautou faz pouco mais que uma ponta), está afiado, com um conjunto de interpretações que, se não são excelentes individualmente, funcionam plenamente quando integradas. Klapisch traça, com graça, um painel de uma Europa cada vez mais ciente de suas diferenças.

Albergue Espanhol EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[L’Aubergue Espagnole, Cédric Klapisch, 2002]

Comentários

comentários

Um pensamento sobre “Albergue Espanhol”

  1. Eu adorei esse filme realmente.
    pq foi a 1º vez q vi alguem tratar sobre a grande confusão cultural q é a União Europeia.
    E um filme q apesar d ter passado na alta madrugada me fez perder o sono e ficar ligada até o final…
    final q realmente foi muito bom ao som d “No Surprises”.

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