Amor, Palavra Prostituta

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As pequenas imperfeições só deixam Amor, Palavra Prostituta mais bonito. Os desempenhos amadores de alguns atores não chegam a macular o melhor filme de Carlos Reichenbach. A construção dos personagens é o forte do longa. Nos capítulos que apresentam cada um deles, as intervenções de um na vida do outro fazem todos crescerem juntos. E o filme cresce com eles. Todos os personagens parecem reféns de um país (ou de uma cidade, de uma vida, de um destino) que impõe limites e restrições e que nunca deixa que eles sejam plenos e livres de verdade. E todos, em maior ou menor grau, buscam a plenitude.

Foi o próprio Reichenbach que um dia disse que “a humanidade tem medo da liberdade porque a liberdade é a coisa mais subversiva que você tem”. Seus personagens, em suas mais variadas formas, são todos subversivos. Mesmo o putocrata interpretado por um ótimo Roberto Miranda, safado que só ele, mas honesto em sua essência. O desenlace em que Carlão e Inácio Araujo, que dividiram o roteiro, rearrumam seus papéis é a última tentativa que vemos para que eles sigam suas buscas. Cada um a seu modo, todos sendo eles mesmos. E se a última expressão de Patrícia Scalvi emociona, o plano final do filme, em que os rostos de Orlando Parolini e Alvamar Taddei se encontram, talvez seja o mais bonito de toda a filmografia do cineasta. Nenhum filme de Carlos Reichenbach foi tão perfeito.

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[Amor, Palavra Prostituta, Carlos Reichenbach, 1982]

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