Amor Profundo

Londres está em ruínas e a personagem central de Amor Profundo também. Hester trocou o casamento com um velho aristocrata para morar com um amante mais jovem, um oficial das Forças Armadas, um herói da guerra que acabou há poucos anos. Como a cidade, que foi apartada dos tempos de tranqüilidade pelo conflito, ela também sofre com a nova direção que sua vida tomou: quis arriscar sua segurança, confrontando o mundo real e se fiando no amor, e isso lhe custou a própria paz. Hester é a protagonista de uma tragédia amorosa num cenário ideal para que tragédias amorosas se desenvolvam.

As cores que Terence Davies rouba para o filme são fundamentais para que a atmosfera não seja de desilusão, mas de extremo romantismo. A fotografia do filme, que marca o retorno do cineasta aos filmes ficcionais depois de 11 anos, parecem refletir o excesso de sentimento que a personagem guarda, como se seu amor não encontrasse para onde ir e não coubesse mais dentro dela, transbordando em amarelos e vermelhos na tela. Este delicado trabalho de composição visual dá suporte a um dos temas preferidos de Davies, a reconstrução da memória. A memória de uma cidade que tenta se reerguer tal qual a protagonista.

A “pintura” dessa Londres de um passado perdido, obra impecável do fotógrafo Florian Hoffmeister, dá um fôlego cinematográfico ao material, ajudando a traduzir um texto que vem do teatro, mais especificamente da peça The Deep Blue Sea, que Terence Rattigan escreveu em 1952. Se o cineasta é feliz nesta adaptação de meios, faz questão de dirigir um filme “à moda antiga”, respeitando silêncios e abrindo espaço para que a trilha sonora assuma o papel de dar harmonia ao conjunto. Existe uma espécie de melodia triste que envolve o filme, que traduz o estado de espírito de Hester, e que encontra na fotografia um casamento perfeito.

No meio desta aventura pictórica e violentamente humana, segue Rachel Weisz, numa de suas melhores atuações, madura e triste. O olhar sem esperanças de Hester parece mostrar como ela encara o que está por vir.

Amor Profundo EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½
[The Deep Blue Sea, Terence Davies, 2011]

Comentários

comentários

4 thoughts on “Amor Profundo”

  1. Olha, acho que não é “uma das melhores”, mas sim “a melhor” atuação da Rachel Weisz.
    O filme não causou nada em mim, exceto ocasional admiração.
    Abs!

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