Drew Barrymore, Rodrigo Santoro, Demi Moore, Lucy Liu, Cameron Diaz

Fraquinho. As Panteras: Detonando é muito fraquinho. O filme do isso-lá-é-nome-de-diretor McG não se sustenta porque não tem roteiro. Ou tem. Muito mal escrito. Há uma preocupação tão imensa em ser engraçado e em conseguir efeitos tão especiais que se esquece de criar algo, no mínimo, plausível. Quase todas as seqüências têm algum momento virtual, no sentido mais literal da palavra. As cenas de ação são tão irreais que é impossível desfrutá-las livremente e não questionar sua autenticidade. Quando a virtualidade não é nas seqüências de luta, ela se apresenta no pouco caso com a história.

True Lies, o longa de James Cameron que transformou Arnold Schwarzenegger em agente secreto, é um ótimo filme. Por quê? Porque Cameron teve o cuidado de não exagerar nos efeitos visuais, que são de mentira (maravilhosamente de mentira), mas não são inacreditáveis. E porque entregou sua história para roteiristas que desenvolvem personagens e não apenas rascunham idéias. Cinema é magia, mentira, ilusão, diversão. O ex-diretor de videoclipes McG sabe disso, mas não tem muita noção do quanto pode ou deve iludir num filme.

As Panteras: Detonando segue a fórmula do longa original, justamente o que marca a estréia de McG como diretor de filmes para o cinema. É coerente em sua mistura de filme de ação e comédia de humor fácil. A questão é: isso é suficiente? Quando se resolve adaptar uma obra de referência, ícone de uma geração, como o seriado de TV As Panteras, deveria-se ter o mínimo de respeito ao original. E a versão para o cinema da história das três detetives não tem a mínima relação com suas inspiradoras.

As panteras do cinema são quase personagens de comédias pastelão. A bela Cameron Diaz faz questão de nos lembrar disso. Aqui só se usa a grife famosa. O ¿espírito¿ original se perde no vento. O seriado apresentava três detetives numa história policial, com toques de humor. Protagonizado por mulheres, ganhou um status diferente, charmoso, simpático e divertido. Farrah Fawcett, Jaclyn Smith e Kate Jackson, respectivamente Jill, Kelly e Sabrina, viraram mitos.

Mexer numa obra já existente e mudar tudo parece, no mínimo, injusto. No primeiro filme, a idéia original mostra menos diluída. A estréia no cinema é menos pretensiosa, mais simples e tem um ótimo Bill Murray no papel de Bosley (personagem herdado por um Bernie Mac muito do chato). A química entre Lucy Liu, Cameron Diaz e Drew Barrymore é boa, mas a necessidade de popularizar o filme o deixa simplório. Diaz, apesar do excesso do roteiro (que transformam sua personagem numa idiotona), é a melhor atriz. Simplesmente porque é a melhor atriz. Os vilões são legais, mas falta ser As Panteras.

O segundo longa não é de todo ruim. Muita gente faz alarde dos zilhões de referências pop que existem no filme (inclusive uma ponta da pantera original Jaclyn Smith). Há alguns momentos divertidos, mas, no conjunto, tudo é facilmente esquecível. A história é mal escrita e todos os personagens que não são integrantes do trio principal são tratados com descaso. Nem a volta de Demi Moore ao cinema, seis anos depois, merece destaque. A musa de Ghost (90), com corpo saído do formol, está mais linda do que nunca. E pior atriz do que nunca. Mas isso a gente perdoa porque é muito legal vê-la nas telas.

Aí vem a pergunta: será que isso é exagero? Será que dá para cobrar muito de um filme de verão norte-americano? Dá sim. Não é preciso ser tolerante com o que não é bom de verdade. E, nesse caso, os danos são irreparáveis porque os dois As Panteras tinham tudo para ser grandes filmes de ação e sua infantilização para ganhar mais público os deixa parcos. Se simpatia fosse suficiente para fazer um filme bom, As Panteras: Detonando seria excelente, mas como é preciso um pouquinho mais, ele não consegue nem ser regular. Isso, o primeiro já foi.

As Panteras Detonando Estrelinha
[Charlie’s Angels: Full Throttle, McG, 2003]

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