Branco Sai, Preto Fica

Uma ficção-científica caseira em forma de manifesto contra o status quo. O novo filme de Adirley Queirós, Branco Sai, Preto Fica, resgata o espírito revolucionário dos filmes de Rogério Sganzerla e André Luiz Oliveira, reprisando, inclusive, sua criatividade para explorar os recursos escassos que os financiavam. Queirós volta a buscar os limites entre documentário e ficção como em seu primeiro longa, A Cidade é uma Só?, utilizando atores com deficiências físicas para interpretar personagens que lidam com as consequências da violência policial. O diretor se inspira em casos reais, vividos por conhecidos dele, vítimas da brutalidade.

A denúncia social está ali, como subtexto que quase o tempo todo volta à superfície, mas o formato de brincadeira, com um terceiro protagonista, Dilmar Durães, na pele de viajante do futuro que investiga o que aconteceu com os dois primeiros, areja a postura política do longa. A criatividade das tramas criadas por Adirley Queirós colocam o diretor numa posição de vanguarda no atual cinema brasileiro. Nenhum cineasta dos dias de hoje assume tantos riscos e se predispõe a tocar em temas tão fortes de uma maneira tão pouco convencional. O filme tem um problema de ritmo que atrapalha um pouco o fluxo da história, mas que cabe em seu formato de panfleto libertário. Queirós reitera sua condição de cineasta imprevisível – e por isso mesmo muito interessante.

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[Branco Sai, Preto Fica, Adirley Queirós, 2014]

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