Amor, sexo, desejo, traição. Com temas assim, as possibilidades são muitas na hora de fazer um filme. Mas o veterano Mike Nichols, bem longe de seus áureos tempos de A Primeira Noite de um Homem, um dos melhores filmes da década de sessenta, preferiu o blá-blá-blá. A adaptação da peça de Patrick Marber para o cinema aposta na qualidade do texto original e na desenvoltura dos atores para interpretá-lo. Isso já havia dado certo com o próprio Nichols, em seu filme de estréia, Quem Tem Medo de Virginia Woolf?, mas não se repetiu na nova investida do diretor.

A primeira questão a se discutir é justamente a base de todo o filme, o texto. Na ânsia de causar impacto com os temas já citados aqui, Marber apelou para lugares comuns como os diálogos com respostas rápidas e engraçadinhas ou a aparentemente ousada decisão de verbalizar nomes chulos para órgãos, personas e ações sexuais ou palavrões. Ousada talvez somente na terra que reelegeu o vaqueiro como presidente. Num país sexualizado como o Brasil – e isso não é uma crítica, o texto de Marber tem alguma graça. Pouca.

Outro problema fundamental: diferentemente do primeiro filme do cineasta, os atores aqui – todos bons atores, por sinal – nunca são grandes atores, sequer têm grandes momentos. Julia Roberts, que merece crédito por aceitar falar sacanagem no cinema, não é Elizabeth Taylor, e Jude Law não consegue encontrar o equilíbrio entre o jocoso e o patético. É o pior na tela. As tão aclamadas performances de Natalie Portman, alçada à merecida condição de ninfeta da vez, e Clive Owen não passam do correto.

Portman é a melhor do quarteto, mas sua personagem enfraquece pela falta de definição. Owen tenta fazer o grandalhão alucinado e obsessivo, mas esbarra em suas limitações como ator e no texto, ruim, que lhe deram para decorar. A cena de sexo virtual é curiosa, mas o fotógrafo Stephen Goldblatt deve ter dormido por ali já que a seqüência, como quase todo o filme, não parece cinema, mas teatro. No único momento em que Nichols resolve fazer cinema de verdade, Natalie Portman aparece em toda sua beleza. Pouco para um filme inteiro, onde a direção se acomodou (ou se acovardou) na adaptação da linguagem do texto original, resumindo a tradução à reprodução. E isso é quase nada quando o texto é ruim como aqui.

Closer – Perto Demais EstrelinhaEstrelinha
[Closer, Mike Nichols, 2004]

Comentários

comentários

Um pensamento sobre “Closer”

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *