Jason Momoa, Rose McGowan, Ron Perlman

O cinema de ação que é feito, hoje, em larga escala em Hollywood atende a um certo padrão estético: a fotografia, para ganhar um ar documental, realista recebe uns filtros que tiram boa parte da cor. É quase como se um filme fosse feito quase que inteiramente no Instagram (o aplicativo que dá cor às fotos no iPhone). Mas não se trata apenas da imagem. O som sempre é excessivamente alto para dar mais peso às batalhas. E as batalhas, essas deixam bastante a desejar. O excesso de câmeras lentas serve, junto com o barulho, para potencializar os confrontos, geralmente esquemáticos, sofrendo pelo excesso de coreografia e pelo uso estético do sangue.

Dito isso, Conan, o Bárbaro é exatamente o que Hollywood espera de um filme de ação, exatamente o que seu diretor, um especialista em remakes, entende como um bom filme. E, para mim, tem exatamente os mesmos defeitos presentes à maior parte dos longas do gênero produzidos atualmente: é um filme pasteurizado, chato e desinteressante.

O filme reintroduz o personagem das HQs no cinema. Jason Momoa, da série Game of Thrones, ocupa a vaga de Arnold Schwarzenegger. Tem mais o perfil do papel, parece mesmo o Conan dos quadrinhos, mas revelava mais talento com sua interpretação cheia de grunhidos para o rei bárbaro Khal Drogo. Por sinal, o filme de Marcus Nispel poderia usar a série como um exemplo de estrutura de roteiro, qualidade de texto e imagens poderosas. O novo filme, além de contar a origem de Conan, vira uma historinha de “salvem a garota”. Sobram os cenários virtuais externos, bem integrados à fotografia.

A assustadora personagem de Rose McGowan, de longe a mais interessante do filme, é soterrada pelo roteiro, que a lança como grande vilã para depois transformá-la numa figurante de luxo, com seu amor incestuoso pelo pai apenas sugerido e seu destino resolvido duas ou três cenas. Se sua participação fosse maior, talvez McGowan provocasse uma revolução em Conan, o Bárbaro. Do jeito que o filme está, ele apenas atende ao padrão do blockbuster hollywoodiano: não fede, mas também não cheira.

Conan, o Bárbaro EstrelinhaEstrelinha
[Conan, the Barbarian, Marcus Nispel, 2011]

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