A trilha sonora de Drive, uma música eletrônica retrô assinada por Cliff Martinez, é essencial para compor a atmosfera do filme: estamos num espaço de intersecção, uma área de encontros de referências, um estado de pastiche de gêneros cinematográficos assumido, levado ao extremo.

Não há compromisso do diretor com realismo ou relativismo. Nicolas Winding Refn comanda um filme que parece existir num tempo suspenso e inexato. Quase morto. Por isso mesmo se recusa a oferecer objetivos nos quais o espectador possa se apegar. Como em O Samurai, de Jean-Pierre Melville, que parece ser sua principal inspiração, Drive é frio e extremamente calculado. Mas esse cálculo é justamente o torna o filme tão apetitoso.

Silencioso como o personagem de Alain Delon no longa de Melville, Ryan Gosling assume o risco de um personagem blasé que poderia dar errado caso caísse em mãos erradas. Com o grande ator do momento, o papel funciona perfeitamente. O personagem de Albert Brooks parece saído de um filme de Quentin Tarantino. Mas, ao contrário da verborragia que inunda os longas deste cineasta, Drive adota um texto quase minimalista. Há várias cenas com zero de diálogo. A direção preenche todo o espaço. Muitas vezes com o vazio de Los Angeles.

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[Drive, 2011], Nicolas Windign Refn.

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2 comentários sobre “Drive”

  1. Olhei ontem mesmo, apesar dos comentários negativos que achei em outras redes sociais, o filme foi excelente. Como dito aqui, frio, mas também o chamaria de direto. Sem falas “brilhantes” do estilo de hollywood, apenas ação, e uma história simples e bem contada.

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