É o Amor

Os protagonistas de É o Amor parecem embriagados. Encharcados de sentimentos tortos e conflituosos, nunca completamente explicados porque não existe muita regra para sentimentos. O contador, sua mulher, seu amante, o amante deste seu amante, todas as personagens do filme parecem completamente apaixonados, mas sem saber exatamente o que fazer com isto. Paul Vecchiali comanda o longa como maestro de uma melodia curta, encantadora e meio maluca, que brinca com a métrica e com a perspectivas das cenas. O diretor, um provocador por natureza, escolhe como uma das personagens principais um ator que teria ganho o César depois de fazer um filme sobre pegação gay, numa claríssima alfinetada ao recente Um Estranho no Lago. Talvez o cineasta não enxergue afeto no drama árido de Alain Guiraudie, talvez prefira encher seus protagonistas de sentimentos conflituosos que deixam seus passos menos prováveis, mais interessantes. Vecchiali volta a dirigir o casal de protagonistas de seu filme anterior, Noites Brancas no Píer, Astrid Adverbe e Pascal Cervo. Mas duas atrizes coadjuvantes roubam as únicas cenas em que aparecem: a mãe de Odile, vivida pela excelente Simone Tassimot, cuja participação musical é encantadora, e a agente de Jean, papel de Mireille Roussel, num momento de comédia que enche o filme de esperança.

É o Amor EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½
[C’est L’amour, Paul Vecchiali, 2015]

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