Se existe um grande mérito no cinema oferecido por Marcelo Laffitte em seu longa de estreia é, além de alçar um travesti e uma lésbica aos postos de protagonistas, tratar os dois personagens como pessoas comuns. Coisa rara no cinema brasileiro. O diretor de Elvis e Madona parece querer criar um cinema conciliatório, de inclusão, em que personagens geralmente marginais são tratados de forma simples, numa comédia de situações convencional, com humor quase que politicamente correto.

A tentativa parece ter alguma semelhança com a de Aluísio Abranches no comercial de sabonetes Do Começo ao Fim. A diferença é que, enquanto Laffitte busca o cotidiano de personagens reais, Abranches investe numa trama inverossímil e tenta convencer o espectador a comprá-la. Mas nem essa procura autêntica pela naturalidade consegue dar substância ao longa de Laffitte.

O filme nunca passa de uma comedinha simpática e, por causa disso, alguns dos principais conflitos ficam superficiais. O texto falha justamente quando precisa de viradas dramáticas. Igor Cotrim se esforça no retrato do personagem, mas nunca passa do correto. Simone Spoladore absuqa da caricatura. Embora haja cenas que funcionam bem, como a da She-Ra, o conjunto é muito frágil e a traminha de suspense que surge para chacoalhar sua meia hora final não consegue muita coisa.

Elvis & Madona EstrelinhaEstrelinha
[Elvis & Madona, Marcelo Laffitte, 2009]

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