Frida

Biografias sempre são perigosas. A reverência ao ser biografado é quase inevitável. A estréia no cinema da diretora da Broadway, Julie Taymor, tenta, mas não foge deste destino. Frida procura humanizar o mito Frida Kahlo, mas como não reverenciar uma artista que fez parte considerável de sua obra em cima de uma cama? Por si só, um ser louvável. A cineasta capricha em mostrar uma mulher de firmeza absoluta, guiada por princípios rígidos e muito particulares e pela plena satisfação de seus desejos. Taymor está convencida que essa qualidade cara aos grandes artistas basta para fazer um grande filme. Está enganada. Beethoven (Minha Amada Imortal, 94) e Picasso (Os Amores de Picasso, 96) sofreram do mesmo mal. E Gary Oldman e Anthony Hopkins eram intérpretes bem melhores que Salma Hayek.

A senhorita Hayek, por sinal, é um caso à parte. Nunca deu provas de ser uma boa atriz, mas também nunca foi ruim. Mas em Frida, ao contrário das expectativas, ela surpreende. Cai na caricatura algumas vezes, mas em geral defende bem seu personagem. Nada memorável, mas a mexicana simpática e belíssima tem seus méritos. Alfred Molina, sempre eficiente, cria um ótimo Diego Rivera. No entanto, a surpresa é pequena e surpreendentemente boa participação de Ashley Judd. Mas o melhor em Frida são as liberdades cinematográficas que a diretora se permite. Taymor cria uma série de truques imagéticos que ao mesmo tempo que ajudam a contar a história fazem referência/reverência direta à obra de Frida Kahlo. São essas cenas e o esforço visível dos envolvidos em fazer um filme interessante que tornam Frida menos burocrático.

Frida EstrelinhaEstrelinha
[Frida, Julie Taymor, 2002]

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