Mallika Sherawat, Irrfan Khan

O trauma gerado pelas críticas negativas a seu filme de estreia, Encaixotando Helena, que nem era tão ruim assim, fizeram Jennifer Lynch esperar 15 anos para se arriscar novamente na direção de um longa-metragem. Sob Controle, exibido na Mostra de Cinema de São Paulo em 2008, mostrava uma cineasta interessada na mesma América profunda com personagens esquisitos, explorada ao extremo por seu pai, o diretor David Lynch.

Mas o terreno que em Jennifer pisa tem muito mais do espírito dos filmes B do que dos simbolismos e do universo onírico que poderiam vir com a herança paterna. Hisss, seu filme seguinte, radicaliza esse direcionamento na carreira da cineasta. Rodado na Índia, com financiamento local, o longa é baseado no mito de uma deusa-cobra que assume a forma humana.

Lynch, que também assina o roteiro, se rende ao objeto e não se preocupa com o excesso, seja nas interpretações caricatas de seus atores, seja nas imagens ousadas de transformação da protagonista, cuja ideia muitas vezes a tecnologia disponível ao filme não consegue alcançar.

É verdade que há de se considerar o fato de que Jennifer perdeu o controle criativo do filme durante o processo de montagem. A diretora queria contar uma (bizarra) história de amor. Os produtores  miravam num filme de terror mais, digamos, clássico.

O resultado é divertido e contrastante: a história popularesca e os atores bem fracos, à exceção de Irrfan Khan, convivem com uma fotografia cuidadosa e alguns efeitos bem razoáveis.  O trash parece, mas não chega a ser involuntário porque Jennifer Lynch tem o maior respeito pelo “gênero”. E porque empresta intenção a todo o filme. A cena de sexo entre a deusa-cobra e seu amado evidencia que, aqui, o amor é levado a sério. Não que isso signifique muito.

Hisss Estrelinha½
[Hisss, Jennifer Lynch, 2010]

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