Huckabees – A Vida é uma Comédia

A música triste de Jon Brion tem o tom exato do melaconcólico universo interior pintado por David O. Russel em seu novo filme. Huckabees – A Vida é uma Comédia, que não chegou a ser lançado nos cinemas brasileiros, é um longa que se utiliza da abstração da comédia, com elementos malucos + mágicos, para se transformar em discurso sobre a solidão. A idéia de criar detetives existenciais para investigar suspeitas coincidências nas vidas das pessoas abre um leque muito interessante sobre impressões do mundo, relevâncias, missões.

O que não funciona como se pretende no filme não funciona por culpa do diretor. O roteiro, com seus privilégios à brincadeira, deixa a bobagem com papel muito mais destacado do que qualquer coisa. O elenco, muito bem escolhido e com belos momentos individuais (Lily Tomlin tem um timing invejável), embarca nessa concepção transformando tudo num enorme brinquedo. Brinquedo que diminui e dissipa os efeitos das questões levantadas, que dá menos importância ao filme. O que é feito da inusitada presença de Isabelle Huppert é quase grotesco. Num cenário destes, a maior surpresa é a delicada interpretação de Mark Wahlberg, que transforma um bombeiro em crise numa grande personagem, complexa e melaconcólica. É realmente o único a acreditar na proposta do filme, seja ela qual for.

Huckabees – A Vida é uma Comédia EstrelinhaEstrelinha½
[I Heart Huckabees, David O. Russell, 2004]

Comentários

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10 comentários sobre “Huckabees – A Vida é uma Comédia”

  1. Rodrigo, aquela cena é constrangedora, na minha opinião, assim como toda a participação da Isabelle Huppert, uma atriz que eu adoro.

    O Mark Wahlberg, este sim, poderia entrar entre meus coadjuvantes favoritos.

    O Jon Brion, apesar de parecer ter algum problema de cabeça, é bom mesmo.

  2. Eu adoro Huckabees. Acho a direção do David O. Russel muito boa, e o roteiro, com suas idéias amalucadas, melhor ainda. Gosto muito também da interpretação da Huppert (aquela cena dela sendo melada de lama entraria para o meu Alfred, se pudesse).

    E o Jon Brion é um fantástico comporsitor.

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