Jack – O Caçador de Gigantes

Jack - O Caçador de Gigantes

Os contos de fadas estão cada vez mais transfigurados. Numa estratégia para cooptar o espectador dos dias de hoje, os personagens que povoam nossas infâncias há gerações ganharam versões anabolizadas, em filmes com edição clipada, muita câmera lenta e efeitos visuais de gosto bem questionável. Por isso, um dos grandes trunfos de Jack – O Caçador de Gigantes é ser uma aventura à moda antiga, com um compromisso com um público mais amplo. Uma das primeiras coisas que se observa no filme é como ele foge do que tradicionalmente se espera de um longa para crianças: há muitas cenas violentas, com cabeças rolando e pouca ou nenhuma piedade com alguns personagens, embora tudo pareça integrado ao espírito de conto medieval. Este talvez seja o maior trunfo do filme.

Embora o roteiro modifique alguns dos elementos de João e o Pé de Feijão, conto atribuído ao inglês Benjamin Tabart que inspirou o longa, o espírito oldfashioned se mantém fiel à obra, como mostra a sequência final que brinca com a evolução das lendas. Bryan Singer, que ganhou experiência em personagens fantásticos ao dirigir os dois primeiros filmes dos X-Men, segue o caminho inverso das outras reimaginações de fábulas, que se empenham tanto em atualizar as tramas a ponto de transformá-las em versões menores de filmes de Michael Bay. Singer valoriza o lúdico, mas consegue comandar uma bela aventura, com cenas de ação bem dirigidas, em especial na sequência em que os gigantes, descidos de sua terra suspensa, perseguem o rei e seus soldados.

Embora a mocinha entregue uma interpretação insípida e Nicholas Hoult – o menino de Um Grande Garoto e o novo Fera dos X-Men – não tenha muito charme, Ewan McGregor incorpora com propriedade o heroísmo de seu personagem – e sem perder o humor, como prova a cena em que ele é preparado para ser aperitivo de gigantes. Estes, por sinal, ganharam um traço que tanto atende às necessidades cômicas do material quanto funciona para credibilizá-los como vilões. Singer acerta justamente ao administrar o contraponto entre o respeito ao original e a capacidade de conversar com novos públicos. Foi isso que ele fez com os X-Men e é essa que parece ser sua maior qualidade.

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[Jack – The Giant Slayer, Bryan Singer, 2013]

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