Killer Joe – Matador de Aluguel

Killer Joe

Matthew McCounaghey esteve cotado para concorrer ao Oscar de melhor ator coadjuvante – e levou alguns prêmios – pelo papel do stripper aposentado de Magic Mike, de Steven Soderbergh, mas merecida mesmo seria uma indicação pelo assassino de aluguel que batiza Killer Joe – Matador de Alguel. O filme de William Friedkin, vencedor do Oscar por Operação França e diretor de O Exorcista, recupera um ator inspirado, que surgiu como uma promessa, mas que durante mais de dez anos se viu soterrado por papéis em comédias românticas e filmes de ação descerebrados e, em sua maioria, ruins.

Killer Joe é uma comédia de suspense sobre um jovem que contrata um mercenário para matar a mãe bêbada, o que lhe garantiria o pagamento de um seguro farto. Tudo com o consentimento do pai, da madrasta e da irmã. Friedkin dirige uma adaptação da primeira peça de Tracy Letts, ganhador do Pullitzer, uma exemplar de pulp fiction cuja principal caracaterística talvez seja a amoralidade e a falta de pudor com que os personagens tocam suas vidas. A verborragia, os personagens bizarros e as situações esdrúxulas e violentas remetem ao cinema de Quentin Tarantino.

Mas a direção de Friedkin – que desde Possuídos, também baseado num texto do autor, não assinava um longa-metragem – administra o universo escrito por Letts com uma maturidade que o diretor de Kill Bill ainda está desenvolvendo. É ele que dá credibilidade à fauna de personagens esquisitos que habita o filme, uma família disfuncional formada por um pai estúpido, uma madrasta ambígua, um filho que se acha esperto e uma filha virgem com o juízo frouxo, estereótipos que ganham camadas e contornos extras nas mãos do diretor.

William Friedkin, que aqui equilibra com um mestre o humor e o suspense, ainda faz uma reflexão sobre o coração da América, conseguindo compor no meio das reviravoltas da trama um retrato do americano médio, preso no tédio de um dia-a-dia mecânico e idiotizado. Um povo que nem sempre está apto a administrar afetos. Além da ótima interpretação de McCounaghey, que acerta no tom e no timing do personagem, o elenco oferece performances inspiradas: Thomas Haden Church é um ladrão de cenas, rouba quase todos os momentos em que aparece no filme sem fazer muito esforço. Emile Hirsch está mais eficiente que o de costume e Juno Temple, uma atriz que cada vez mais chama atenção, oferece uma personagem encantadora, num mashup perfeito entre inocência e estupidez.

No entanto, é Gina Gershon quem mais impressiona no ato final do filme. Seu personagem cresce em importância e estrela uma sequência que envolve violência exacerbada, segredos e Kentucky Fried Chicken. Além de tudo isso, o cineasta parece dedicar os últimos minutos de seu longa a fazer a homenagem que a atriz nunca recebeu. E Gina devolve o presente com uma interpretação furiosa, que entra para a galeria de personagens femininos clássicos dos filmes do gênero. Depois de Killer Joe, o Texas nunca será o mesmo.

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[Killer Joe, William Friedkin, 2011]

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