As cores estão mais vivas e definidas, a não ser nas águas turvas da Atlântida. Muito turvas. O humor está mais presente, como em todos os filmes da Marvel, sendo que este é um filme da DC.

A trilha está mais leve, inclusive audível, o que mostra que exportar Hans Zimmer para um filme de Christopher Nolan e contratar um Oingo Boingo pro lugar dele pode ter um efeito de Biotônico Fontoura.

Os atores, por sinal, parecem realmente se divertir com as cenas que tiveram que regravar para que o filme seguisse o rastro da maravilhosa mulher, a não ser o Ben Affleck, não por interpretar o Batman, mas por ainda não ter se recuperado daquele A Lei da Noite“.

[normal, nós também ainda não conseguimos, Bruce!]

A ideia é que o Homem-Morcego ria de si mesmo, mas ele não achou graça, parece.

Liga da JustiçaO Flash é o homem mais devagar do mundo. Oitenta por cento de suas cenas são em câmera lenta para, supostamente, mostrar como ele é rápido. E Ezra Miller é o ator mais legal em cena até que o espectador descobre que ele vai repetir a mesma piada ao longo de todo o filme.

Mas ele é está [trocadilho alert] anos-luz do Cyborg. O ator que faz o Cyborg é horrível. O visual do Cyborg é horrível.

A Mulher-Maravilha cresceu na trama, certamente impulsionada pelo sucesso do filme solo, que mudou tudo, e porque dá uns pulos que até voa. Gal Gadot só não participa da melhor cena de ação do filme, que envolve as amazonas tentando defender um dos motes do filme.

[spoilet alert: nada de jato invisível ainda]

Liga da JustiçaO Aquaman é uma espécie de Khal Drogo da Marvel, sendo, novamente, este um filme da DC, mas Jason Momoa é tão gente boa que, se terminasse cada cena dando uma piscadela para a câmera, ninguém estranharia. E o Superman – não é spoiler porque todo mundo sabe do bigode e, se você não sabe do bigode, pesquise no Google – tem umas cenas dramáticas até legais.

A sequência final tem aquele mesmo problema de todos os filmes da DC: a escala, mas, de uma maneira geral, Joss Whedon cumpriu direitinho o contrato, deixando o longa mais leve, colorido, mais Marvel mesmo, sem muita personalidade.

A dúvida é: melhor um filme genérico ou um filme com a personalidade do Zack Snyder? A casa fica com a primeira opção. De que adianta ser autor se se é autor ruim?

Whedon até tenta, mas a ordem para seguir o roteiro atrapalha os planos e o vilão não ajuda. Lobo da Estepe? Quem convidou? Mas, se a ideia era criar um personagem anódino, inócuo, zero carisma, fechou. Era este mesmo.

Se, por um lado, Liga da Justiça é medíocre, está longe da bomba atômica que poderia ser exclusivamente nas mãos de Zack Snyder. Whedon mira no básico e resgata os personagens para uma clareira (ao lado, mas) fora da zona de destruição pós-apocalíptica e sofrida que domina os filmes desde O Homem de Aço. O clima de brodagem impera. Nenhum personagem é desenvolvido como poderia, mas todos têm um bom espaço de cena que mostram porque estão ali.

Não é o filme que sonhei desde criança, mas não é o pesadelo que eu imaginei ao final de Batman v Superman. É ruim defender algo pelo que ele poderia ser, mas é reconfortante ver um movimento rumo a uma direção que parece um pouco mais acertada.

Quem sabe quando eles rodarem o filme desde o começo com o diretor certo? O Spielberg tá livre?

[cena pós-créditos: tem cenas pós-créditos. duas.]

Liga da Justiça EstrelinhaEstrelinha½
[Justice League, Zack Snyder #sqn, 2017]

Comentários

comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *