Machete

O cinema de Robert Rodriguez confunde muito. O cara fez tanta porcaria – algumas porcarias maravilhosas, entenda-se – que é fácil classificá-lo de superficial, bobo ou trash. E já se vai ao cinema com um conceito pré-estabelecido. Quem fizer isso vai perder o grande filme que é Machete, muito provavelmente o melhor do diretor. O longa sobre o vigilante mexicano é uma espécie de síntese do cinema de Rodriguez, seja na forma, na temática ou até na maneira como ele veio à vida, como fruto de um trailer que nunca deveria ter se tornado um filme.

O humor do diretor parece estar ficando cada vez mais redondo e inteligente, refinado mesmo, apesar de manter todas suas referências à cultura pop e de não fugir do modelo que ele tomou para seus filmes. Mas aqui o diretor usa seu universo cartunesco habitual para fazer um trabalho mais político, engajado e completamente crítico aos Estados Unidos. O elenco, excelente, ajuda a contar essa história: Danny Trejo, o protagonista mais improvável da História, está perfeito, mas Jeff Fahey, Robert De Niro, que há tempos devia uma boa interpretação, e até Jessica Alba entenderam completamente a brincadeira séria do cineasta.

Machete EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[Machete, Robert Rodriguez & Ethan Maniquis, 2010]

Comentários

comentários

3 thoughts on “Machete”

  1. Mariana, se me permite, eu não vi o filme, porém, acredito que Rodriguez tenha colocado somente americano com má indole simplesmente por se tratar de um exploitation onde o protagonista é um mexicano. Ou seja, antes de querer criticar, apontar problemas, Rodriguez quer entreter. E num exploitation as coisas tendem a aparecer dessa maneira.

    Não sei, minhas palavras não passam de divagações, pois, como já disse, eu não vi o filme.

    Mas o que vocês acham?

    Um forte abraço.

  2. Mariana, o fato de eu ter gostado do filme não tem nada a ver com ter preconceito ou não com os EUA. Nada a ver. Eu adoro o cinema americano, inclusive os blockbusters. “Machete” é uma sátira política, por isso não tem preocupação com fidelidade. Se tivesse, seria um filme de denúncia corriqueiro. O fato de ser um filme como ele é e, ainda por cima, ironizar com o tratamento dado aos estrangeiros pelos americanos apenas faz com que o filme cresça ainda mais na minha opinião.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *