Carrie Ann-Moss, Hugo Weaving, Keanu Reeves

No princípio, era a ordem. Uma sociedade perfeita, de alta tecnologia, com padrões sociais elevados e organização impecável. Então, surgiu a pílula. E, por livre e espontânea vontade, Thomas Anderson, hacker nas horas vagas, descobriu que não era bem assim. Matrix mudou para sempre a concepção da ficção-científica. O gênero, que parecia destinado à mera exibição de efeitos especiais, ganhou roteiro, passou a ter história para contar.

Não há como falar dos efeitos visuais desenvolvidos para o filme sem utilizar fartos e variados adjetivos ligados à grandeza. Mas o que é mais impressionante no longa é o fato de que, por mais que eles sejam o ponto mais alto da tecnologia no cinema, os efeitos têm papel secundário no filme. Sua concepção de universos paralelos, realidades virtuais e existência remete diretamente aos quadrinhos e, indo mais além, às mitologias. Matrix recicla conceitos como sua história recicla a percepção do mundo real.

Matrix Reloaded é melhor que Matrix. Sua história ganha nuances ainda mais profundas, leituras ainda mais ricas e inúmeras possibilidades. O filme é melhor dirigido, melhor interpretado e suas seqüências de exibição tecnológica são melhores que as do primeiro longa. A seqüência da luta entre Neo e o multiplicado agente Smith é antológica.

Reloaded perde em comparação ao filme original apenas quando o quesito é originalidade, é princípio, é prisma. Como é um aperfeiçoamento das idéias desenvolvidas em Matrix, Reloaded, por mais que vá além, fica refém de sua cronologia, mas que fique bem claro que isso não é demérito. Evolução seria a palavra correta.

Neo é o herói clássico, moldado para os dias atuais. O escolhido não guarda as características do herói contemporâneo, com comportamento menos padronizado e dualidade de intenções bem visível. Neo está mais para Superman que para Wolverine, o que o reforça o caráter épico de sua missão. No novo filme, Neo assume por completo as características de seu personagem, que já tem seu desenho de messias totalmente definido.

Por falar em desenho, a concepção visual de Reloaded é um abuso. A direção de arte de Owen Patterson consegue superar o trabalho feito para o longa original. Os cenários criados para a mansão de Merovingian, o reduto do Arquiteto e a cidade exilada de Zion são perfeitos e assustadoramente originais.

A cena da perseguição de automóveis foi feita numa rodovia de 5km, criada especialmente para o filme. Esta cena, em particular, é excepcional. Seu clímax energético culminou numa empolgadíssima salva de palmas e conseqüentes gritos de êxtase na sala de exibição. Esse é, por sinal, um dos maiores méritos da trilogia. Matrix Reloaded, assim como Matrix, faz parte de um pequeno grupo de filmes que consegue unir conceito, forma e ainda falam com o público.

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[The Matrix Reloaded, Larry e Andy Wachowski, 2003]

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