Metrópolis

A montagem mais recente do clásssico expressionista de Fritz Lang, tantas vezes restaurado e relançado, não é apenas mais uma versão de um filme que você já viu. Metrópolis talvez seja o filme em que o cinema mudo alemão melhor tenha demonstrado o talento para o gigantismo, seja em seus cenários impressionantes, seja nas cenas de multidão, orquestradas como balés, como na sequência sexual da dança da nova Maria.

Com a inclusão das cenas encontradas numa cópia do longa em Buenos Aires, os restauradores deram novas dimensões ao épico de ficção-científica que inaugurou uma perspectiva de futuro paras as grandes cidades que existe até hoje. As novas cenas, facilmente perceptíveis porque têm qualidade de conservação inferior as já conhecidas, deixam a trama bem mais clara para o espectador. Muitos dos cortes bruscos que apareciam nas versões anteriores do filme têm justificativa agora.

Há inúmeros planos recuperados da fantástica sequência do alagamento, com Lang mostrando seu talento imenso para composição de quadros: um mar de crianças, inclusive crianças pequenas, desesperadas numa cena que provavelmente seria legalmente impossível de se realizar hoje. A perseguição final a Maria também ganha vários novos planos, tornando a sequência mais lógica.

O maior adendo, no entanto, que traz essa versão é o aparecimento de um personagem, um capanga de Joh Fredersen que persegue seu filho e que parecia ter sido completamente suprimido nas versões até então conhecidas do filme. Assistir a Metrópolis no cinema foi uma experiência avassaladora. Foi como se prostar diante da história do cinema e suas dimensões gigantescas.

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[Metropolis, Fritz Lang, 1927]

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