As Aventuras do Barão de Münchhausen, filme dirigido pelo inglês Terry Gilliam em 1988, é um dos maiores fracassos da história do cinema. Custou uma fortuna, sofreu com uma série de catástrofes durante sua produção e naufragou nas bilheterias. Mesmo com sérios problemas de edição, o que deixam seu ritmo desequilibrado, é um filme encantador. Sobretudo por causa do maravilhoso personagem encarnado por John Neville, que já havia chegado outras três vezes ao cinema.

Em 1943, em plena Segunda Guerra Mundial, a UFA, o megaestúdio comandado pelos nazistas, completou 25 anos e o ministro da propaganda alemã Goebbels queria um filme luxuoso que honrasse o aniversário. O tema escolhido para a produção foi a história do Barão de Münchhausen. O filme custou o último marco do Terceiro Reich e foi rodado em um local isolado enquanto bombardeios destruíam o que havia pelos arredores. Questionamentos políticos ou sociológicos à parte, Münchhausen é um espetáculo cinematográfico.

O barão é o maior mentiroso da história, um mulherengo confesso que se arrisca em aventuras extraordinárias e é dono da capacidade de resistir, incólume, à passagem do tempo. O personagem, por si só, é um achado. Sua mágica transcende a linguagem: atrai não só as outras personagens à sua volta, mas quem lê ou assiste suas aventuras. Nas mãos do cineasta Josef von Báky e do dinheiro nazista, Münchhausen viu sua grandiosidade ganhar a medida certa nas telas. Uma aventura soberba, realizada com arte de primeira classe e tecnologia surpreendente (os efeitos são perfeitos e a fotografia é inovadora).

Quando flerta com a cazarina Catarina ou engana um sultão, o barão mostra que conquista com a palavra, com a sedução. E Münchhausen, o filme, é feito para seduzir o espectador, que viaja num balão até a lua ou voa numa bala de canhão como criança. Se o luxo da direção de arte e dos figurinos pode soar ostentação, basta assistir à dança das roupas no armário para esquecer da realidade e mergulhar na fantasia, mais que isso… na magia que não se corrompe com a ideologia e que, no melhor exemplo do seu personagem, resiste sem pestanejar ao passar do tempo.

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[Münchhausen, Josef von Báky, 1943]

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