Bailee Madison, Katie Holmes, Guy Pearce

Acabei de colocar os pés em casa. Iria pegar um táxi, mas esqueci de sacar dinheiro. Foi uma tenebrosa jornada de volta do cinema. Não porque tive que pegar metrô e ônibus. Sempre faço isso sem problemas. Mas a noite estava particularmente assustadora. As ruas pareciam mais escuras, os caras que circulavam pela Frei Caneca e pela Augusta eram esquisitos e havia pessoas solitárias no metrô e no ponto de ônibus. Este, o ônibus, por sinal, não passava nunca.

Talvez eu estivesse bastante sugestionado porque Não Tenha Medo do Escuro não me deu trégua. Desde que as coisas começam a “acontecer” no filme, eu confesso: tomei muitos sustos. Passei mais de uma hora bem tenso na poltrona. Mas entendo que o terror é um gênero com apreciações muito subjetivas. O que funcionou maravilhosamente para mim pode não significar nada para você que lê este texto. Basicamente porque estamos falando sobre medo. E não há nada mais pessoal e instransferível do que isso.

Li e ouvi que muita gente não gostou do filme. A assinatura de Troy Nixey na direção não indicava o que esperar. Nem o nome de Guillermo del Toro, que assina o roteiro do remake de um telefilme que viu quando criança, parecia ter ajudado na recepção ao longa. Alguns criticaram a pobre da Katie Holmes, que está correta. Sua personagem não contribui, muito menos prejudica o filme. Mas Katie paga pelo fato de ser a esposa do Tom Cruise. E não deve se livrar disso tão cedo. Condenar qualquer filme que ela faça por isso é lamentável.

Não Tenha Medo do Escuro foi uma surpresa para mim. O filme se apropria do velho tema da casa que guarda segredos macabros e faz uma releitura de seres mitológicos. É um filme bem à moda antiga. Um filme B à moda antiga. Um filme bem à moda de del Toro. Nixey administra o clima com a segurança de um cineasta inexperiente, mas cheio de vontade. Comete alguns pecados no acabamento de algumas cenas, principalmente quando não há ação. Os atores parecem carecer de direção. No entanto, nos momentos de tensão, acerta a mão. A discreta e pertubadora trilha sonora conduz o suspense bastante bem.

O filme coloca sua heroína, Bailee Madison, uma especialista em fantasia vive a belezinha Ponte para Terabítia, em mais apuros do que eu possa enumerar. Sua curiosidade é maior do que seu medo, então, ela se aventura sozinha nos mais variados lugares, mesmo depois de ser apresentada a seus adversários. Esta cena, por sinal, é a mais importante do filme: decreta quem vai comprar bou não a história que seduziu Guillermo del Toro quando criança. Eu adorei.

Mas, de uma coisa os contrários ao filme não podem acusar o filme: ele não tem pudores em mostrar – e bem – os vilões. Esse talvez seja um problema para quem acredita que insinuar seja melhor, mais elegante, mais refinado do que mostrar quando se trata de personagens sobrenaturais. Ao explicitar os “inimigos”, o filme talvez tenha frustrado quem prefere deixá-los na imaginação. Dá para entender. Mas – quer saber? – então que os outros me entendam também. Porque o medo que eu senti quando encarei o “segredo” do filme foi bastante genuíno. E fazia tempo que voltar pra casa sozinho não era tão difícil.

P.S.: não estou só nessa! O Tiago Superoito e o Ailton Monteiro também gostaram bastante do filme.

Não Tenha Medo do Escuro EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[Don’t Be Afraid of the Dark, Troy Nixey, 2011]

Comentários

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9 comentários sobre “Não Tenha Medo do Escuro”

  1. Ninguém falou que era roteiro original. Esse foi o filme que fez com que o roteirista, Guillermo del Toro, se apaixonasse pelo cinema fantástico.

  2. Bobagem. Isso é refilmagem. Assisti à primeira versão de NÃO TENHA MEDO DO ESCURO, há muitos anos atrás. Agora eles refilmam e trás como se fosse novo. Afinal de contas, nos dias atuais eles não criam nada de novo, apenas refilmam. Apenas fizeram uma pequena mudança incluindo mais uma personagem (a menina)pois na primeira versão é apenas o casal. Uma coisa eu digo: o primeiro filme é muito bom.

  3. Sou do time dos que não gostaram. Deve ser mesmo uma questão de subjetividade do medo. Adoro o gênero, mas não entrei no clima do filme e acho que isso pesou. Quase tomei um susto na cena do lençol, a mais bem dirigida do filme… e só. Outro ponto positivo é a trilha da abertura e dos créditos finais, sensacional!

  4. Será que o peso da página se deve a essa propaganda? Sou só eu quem reclama, Chico?

    Quanto ao filme, por mais que as pessoas enumerem detalhes, mais eu gosto dele. hehe. Pode até ser um filme torto, mas é um belo de um trabalho. Quase me senti como se estivesse nos anos 70 ou 80.

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