A segunda versão cinematográfica, com a Vera Fisher, eu não gosto. Fraca, como tudo o que o Neville D’Almeida faz. Não sou o maior dos fãs do Plínio Marcos; seu universo não me atrai. Mas ao ver esse filme de Braz Chediak tive a certeza da força de seu texto. O peso do passado faz os olhos pesarem, o corpo cair e tudo virar muleta para evitar o precipício. Glauce Rocha se transforma na puta velha e triste com competência avassaladora. Uma atriz é uma atriz. O duelo final entre ela e Jece Valadão é de uma excelência absurda, inclusive no surpreendente desempenho do ator. Emiliano Queiroz também domina as cenas com seu Veludo. O trio de atores encarna os personagens de Plínio Marcos com o desespero e a urgência necessárias, magnificamente fotografados por Hélio Silva, que transforma teatro em cinema, de boa qualidade.

Navalha na Carne
[Navalha na Carne, Braz Chediak, 1969]

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