Jean Dujardin, Bérenice Bejo, Uggie

Na época em que o cinema não falava, foram feitos alguns dos melhores filmes produzidos até hoje. Nestes pouco mais de 30 anos de silêncio absoluto, surgiram também diretores que logo transformaram a função de cineasta num profissão de respeito. O filme ganhou status de obra de arte, seus protagonistas viraram estrelas e Hollywood, no coração de Los Angeles, a capital dessa nação chamada cinema. O Artista, o filme mudo de Michel Hazanavicius, é uma homenagem a esse período, a essa arte, as esses artistas.

Na verdade, não. Porque, soterrado na história dos filmes estão as comédias silenciosas com astros que duraram 2 ou 3 anos, os filmes de aventura extremamente eficientes de diretores que mal passavam de artesãos e não tinham exatamente um conceito e os melodramas, geralmente adaptações de livros e peças teatrais famosas, que de cinema tinham mais a intenção do que propriamente os atributos. É a essa segunda leva de filmes, a esse cinema que não está nos catálogos, que não aparece nas listas de melhores que O Artista saúda.

A maior qualidade de Michel Hazanavicius é fazer o mundo inteiro comprar como um marco um longa que pouco difere das paródias que dirigiu de filmes de espionagem, com agentes bobalhões. O Artista, muito antes de ser uma homenagem ao cinema popular mudo, é um filme de Michel Hazanavicius. Estão lá o protagonista simpaticão, a mocinha adorável, a história simples, o vilão (o cinema falado) e a trilha que embala tudo isso. A suposta ingenuidade do filme segue uma fórmula bastante usada pelo diretor.

No entanto, o que diferencia esse filme das cópias baratas que Hazanavicius produzia antes é todo o entorno. Primeiro, foi preciso que um diretor francês, desconhecido e dono de um currículo qualquer nota, saísse de seu país e invadisse o berço do cinema americano para fazer um filme sobre a transformação mais radical da história dessa arte, a invenção do cinema sonoro. Transformação que afetou a todos a grosso modo, mas que foi muito mais sensível em Hollywood. Mais do que isso, O Artista vira uma obra completamente particular ao se adaptar àquele formato de fazer filmes sem fazer disso um espetáculo.

O choque é mínimo. O que transborda no filme de Hazanavicius é a espontaneidade. O filme flui com uma leveza impressionante, passando pelos gêneros que homenageia, da comédia singela ao folhetim, com sequências de tensão e aventura. Sem pudores, este filme abraça todos os envolvidos se conectando àquele modus operandi numa simbiose em vários níveis. E fazer um filme leve e simples não impede o diretor de criar duas das cenas mais bonitas do ano. Numa delas, Peppy, a adorável Bérénice Bejo, se enamora do paletó de George. Na segunda, a chegada do som ao cinema vira um pesadelo para o protagonista, um Jean Dujardin inspirado.

Então, quando falarem que O Artista é um filme menor, concordem. Filmes menores também podem ser geniais.

 O Artista EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[The Artist, 2011, Michel Hazanavicius]

Comentários

comentários

Um pensamento sobre “O Artista”

  1. Que disputa boa entre Jean Dujardin e George Clooney não é? Pena que Ryan Gosling ficou de fora e não achei a atuação do Gary oldman tão maravilhosa como dizem,já vi varias atuações dele(comissario gordon em cavaleiro das trevas por exemplo)melhor que essa.

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