O Pântano

Lucrecia Martel é uma esteta do caos. Em O Pântano, uma piscina suja é o centro do encontro entre duas famílias. Os personagens vivem em estado de inércia, prostrados ao sol e na vida, numa metáfora bem direta do momento histórico da Argentina no começo dos anos 2000. Em sua alegoria, Lucrecia abraça o caminho menos fácil: evita a poesia que virou modelo para muitos diretores argentinos. Seu filme é duro, quase ríspido. Parece querer sufocar o espectador com um trabalho de ambientação seco, sem emoção, que ressalta no filme o texto excelente e um elenco totalmente inspirado por ele.

O grau de estilização visual, seja na fotografia, seja na direção de arte, não existe. A família que é dona da casa da tal piscina é a própria aberração. Um pai bêbado, uma mãe reclusa, um filho de rosto desfigurado, uma filha desnorteada. Em contraposição, a família amiga, teoricamente melhor estruturada, se mostra tão suscetível à tragédia quanto a primeira. A cineasta sublima a ação em favor do retrato da desordem, do recorte, de mostrar. O olhar de Lucrecia Martel para seu próprio país é rico e sem filtros, coisa rara no cinema de hoje.

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[La Ciénaga, Lucrecia Martel, 2001]

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