Sang-ho Yeon

Grosseiramente, O Rei dos Porcos poderia ser classificado como um filme sobre bullying, mas seria resumir demais a proposta de um longa tão complexo. A animação coreana é sobre o peso de um passado, sobre dois homens adultos que são reféns de sua própria história. Sang-ho Yeon, que assina seu primeiro longa-metragem, nos apresenta a dois personagens que nunca se libertaram de eventos acontecidos em sua infância.

O tom pessimista já se desenha na cena inicial do filme, um pós-assassinato que apresenta um dos protagonistas. O segundo surge logo em seguida, numa cena violenta, tão tensa quanto a primeira. O encontro entre os dois é a última seqüência que acontece no tempo presente, antes de introduzir um longo flashback que se estende até pouco antes do desfecho.

A sisudez de O Rei dos Porcos incomoda. A princípio, o cineasta parece inibido diante das possibilidades narrativas de uma animação, construindo o longa da maneira mais racional e realista possível.  A impressão passa aos poucos, à medida em que o espectador percebe a seriedade que o diretor impõe ao tema. Ele parece querer se despir de qualquer tipo de truque na execução do filme, talvez como forma de respeito ao material.

O ambiente escolar é desenhado como um espaço dominado por protótipos de gangues. O contexto ganha contornos aos poucos, assim como a construção psicológica dos protagonistas. A realidade é de crueldade e violência para as crianças. Sang-ho Yeon não os poupa, o espectador sofre junto e, assim como eles, enxerga no personagem Chul sua possibilidade de salvação. Ele é o símbolo da mudança, o contraste para com a inércia dos protagonistas. Um exemplo do qual eles não conseguem esquecer e que precisam eternizar para poder seguir a vida.

O Rei dos Porcos EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½
[Dwae-ji-ui Wang, Sang-ho Yeon, 2011]

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2 comentários sobre “O Rei dos Porcos”

  1. A animação sul-coreana, nos últimos anos, tem se mostrado com muita qualidade narrativa e acabamento técnico. No ínico era uma mimetização dos animês japoneses… Hoje pode-se dizer que tem uma narrativa muito própria e peculiar…

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