Festival do Rio 2013: Obsessão

Obsessão

Obsessão é a tentativa de Lee Daniels de invadir o universo daqueles thrillers sulistas norte-americanos, mas o roteiro está muito mais interessado em mostrar as bizarrices dos personagens do que desenvolver uma trama. O filme tenta contar a história do jornalista que volta a sua cidade natal, no interior da Louisiana, para provar que um homem acusado de assassinato é inocente. Seria até curioso se os personagens fossem minimamente interessantes, mas a necessidade de chamar atenção pelo choque fala mais alto.

A cada momento existe uma grande revelação que tem por fim mostrar um segredo escondido daquela sociedade, alusão rasteira à própria natureza da região, em que as árvores escondem pântanos e lama. O tom é uma mistura insólita de humor com violência, sempre apelando pro lado grotesco daquele lugar, sem nunca encontrar um equilíbrio entre os elementos. A fama de Daniels, que concorreu ao Oscar por Preciosa, atraiu nomes famosos para o elenco deste projeto, mas todos parecem se complicar na proposta do filme.

O personagem mais sóbrio, o de Matthew McCounaghey, único que parecia seguir uma linha reta, ganha uma virada rasteira numa cena que parece apenas compor o quadro de situações “desconfortáveis” do filme e para revelar sua anomalia. Ninguém está a salvo na história que Daniels está contando. Há um erro grosseiro de continuidade na primeira vez em que John Cusack, deformado, surge na tela. Por sinal, o ator nunca havia entregado uma interpretação tão caricata.

Nada se justifica. Nem a narração de Macy Gray, uma tentativa mais sossegada de reativar o fenômeno Mo’Nique no filme mais conhecido do diretor, nem as atenções para Nicole Kidman. O conceito da personagem é interessante: uma mulher que não consegue represar sua sexualidade, o que termina agravando seu estado mental, já bem frágil. A insistência de Daniels em invadir o terreno do ridículo é ousada, mas o diretor fraco não consegue dar conta do projeto e o ridículo, em vez de tentativa de linguagem, vira ruim mesmo.

Kidman é bastante prejudicada por isso. Pega um papel medíocre e devolve com uma interpretação meia-boca. A cena em que ela urina no personagem de Zac Efron, que não está ruim, além de não ter o mínimo impacto, é completamente gratuita. Onde foi parar aquela grande atriz?

Obsessão Estrelinha
[The Paperboy, Lee Daniels, 2012]

Comentários

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5 comentários sobre “Festival do Rio 2013: Obsessão”

  1. A enredo eh super interessante, mas o Lee Daniels, que eh um diretor muito ruim, e que tem uma visao das coisas que foge de qualquer coerencia, destruiu o filme como um todo!. Os atores dao o melhor….Kidman estah super bem….gostei da atuacao dela, mas o filme eh chato que eh dificil de acompanhar a narrative! Daniels ama chocar mas nao sabe fazer as coisas certas! Nota 1/10

  2. Li o livro e o Lee Daniels assassinou uma história muito interessante. O pior foram os personagens, que no livro eram complexos e coerentes, e no filme são absurdos e exagerados, sem nenhuma profundidade dramática ou emocional. Principalmente os dois irmãos. Duas coisas contribuíram bastante para esse desastre: o romance que inventaram entre o Zac e a Nicole (no livro eles não se relacionam) e toda a temática racial que o Lee introduziu (que poderia até ter funcionado, mas não do jeito que colocaram, dando destaque para uma personagem desnecessária e estragando a personalidade do Yardley). A diferença entre o final do livro e filme é gritante. E não no sentido de não ser fiel à obra original. Mas no sentido de que no livro é um final sutil, triste e melancólico, quase uma epifania. E no filme é aquela loucura forçadíssima, tentando ser uma tragédia amorosa. Sofrível. Decepção esse filme…

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