Os Cavaleiros Brancos

Afeito a dramas familiares pesados como Propriedade Privada, Lições Particulares e Perder a Razão, todos tratando de relações controversas dos protagonistas para com aqueles que estão por perto, o belga Joachim Lafosse, desta vez, resolve ampliar suas discussões éticas viajando para a África. Vincent Lindon interpreta o presidente de uma ONG chamada Move for Kids, que, sob a égide de salvar órfãos da guerra civil no Chade, resolve montar uma grande operação para fugir do país com cerca de 300 crianças que já foram prometidas a famílias francesas que estão na fila de adoção. Lafosse acompanha os personagens com uma câmera quase documental, o que viria a se tornar um problema porque oficializa as escolhas morais do grupo como se elas fossem escolhas morais do filme. Embora consiga transformar o foco de seu registro, revelando aos poucos as atitudes limítrofes dos personagens, em especial do protagonista, como se desse pistas de que discorda dele(s), Lafosse nunca assume uma postura verdadeiramente crítica em relação a toda a ação. Na maior parte do filme, parece defendê-la, por sinal. O desfecho talvez indique uma tomada de posição, mas combina mais com a série de finais impactantes que o cineasta adorar deixar estourarem nas mãos do espectador.

Os Cavaleiros Brancos EstrelinhaEstrelinha
[Les Chevaliers Blancs, Joachim Lafosse, 2015]

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