Sylvester Stallone, Arnold Schwarzenegger, Bruce Willis, Jean-Claude Van Damme, Chuck Norris

O sopro de vida que faltava a um gênero desmerecido, Os Mercenários 2 é um dos filmes mais coerentes a chegar aos cinemas em 2012. O segundo capítulo da franquia de ação retrô iniciada dois anos atrás por Sylvester Stallone vai além em todos os sentidos. A entrada de Simon West na direção deixa o filme muito melhor acabado, mais bem dirigido mesmo, com um domínio de cena acima da média, uso inteligente da trilha sonora e um timing acertado. A seqüência do primeiro embate o com o vilão é exemplar: tensa na medida certa, emocional na medida certa.

O roteiro melhorou muito também. Richard Wenk finalmente leva a cabo a proposta do filme original, de revisitar/reinterpretar um cinema de ação que se perdeu no tempo. Se Os Mercenários basicamente era um filme de ação oitentista feito 25 anos depois, este novo longa parte de um roteiro que tem plena consciência de que é datado e usa essa consciência como proposta. Ao mesmo tempo em que impõe um clima nostálgico e que se autoelogia como clássico, nunca perde a oportunidade de tirar sarro de si mesmo com algumas sacadas de texto geniais.

O novo filme repara o pecado do original e coloca Arnold Schwarzenegger e Bruce Willis no meio da ação. Vê-los, armados até os dentes, ao lado de Stallone mexe com o imaginário do público. Jean-Claude Van Damme, como um vilão que se chama Vilão – e com sotaque, também ganha uma belíssima homenagem do roteiro, tendo espaço para executar (ele ou seu dublê) suas acrobacias com destreza, numa luz que deixa seu desempenho quase mítico. E não há palavras para descrever o tratamento de deus que o filme dá para Chuck Norris. Sua entrada em cena é antológica, um misto de reverência e ironia. O diálogo de seu personagem com o de Stallone guarda algumas das frases do ano.

Mas nem só de sarcasmo e de nostalgia vive o filme. Numa época em que heróis de ação solitários ainda dominam o cinema do gênero, Os Mercenários 2 trabalha com a ideia de grupo e mais do que colegas de trabalho com objetivos em comum, o filme ressalta os laços de amizade, lealdade e respeito que unem os personagens. Coisa de macho, macho das antigas.

Os Mercenários 2 EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[The Expendables 2, Simon West, 2012]

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