Oscar 2017: os estrangeiros

A Academia anunciou a lista final de filmes que disputam uma vaga na corrida pelo Oscar de língua estrangeira e o recorde de número de inscritos foi batido mais uma vez. Oitenta e nove países selecionaram seus candidatos oficiais, mas apenas 85 aparecem na lista da Academia (quatro a mais do que no ano passado). Os motivos para os cortes ainda não foram revelados (nem sabemos se serão), mas geralmente eles passam pela real nacionalidade de um filme e pela quantidade de diálogos que ele tem na língua do país que o indicou. Saíram da disputa:

Afeganistão: Parting, Navid Mahmoudi
Armênia: Earthquake, Sarik Andreasyan
Camarões: Yahan Ameena Bikti Hai, Kumar Raj
Tunísia: As I Open My Eyes, Leyla Bouzid

A tendência natural dos países é privilegiar filmes que estrearam em grandes festivais, como a Itália, que elegeu o Urso de Ouro no Festival de Berlim, Fogo no Mar; a Venezuela, cuja escolha foi o vencedor de Veneza no ano passado, De Longe Te Observo; e ainda Alemanha, França, Espanha, Romênia e Canadá, que elegeram seus filmes em Cannes, só para citar alguns exemplos. Diretores reconhecidos estão na disputa deste ano: Paul Verhoeven, Danis Tanovic, Hany Abu-Assad, Andrzej Wajda, morto recentemente, e Andrei Konchalovsky, todos ou já premiados ou já indicados na categoria. O Brasil decidiu seguir uma estratégia diferente. Em vez do prestigiado Aquarius, celebrado em Cannes e que agora chega aos cinemas franceses elogiadíssimo pela Cahiers du Cinema, preferiu o obscuro Pequeno Segredo, de David Schurmann, sob o pretexto de ser “a cara do Oscar”.

Vejam os 85 filmes confirmados:

África do Sul: Call Me Thief, Daryne Joshua
Albânia: Chromium, Bujar Alimani
Alemanha: Toni Erdmann EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, de Maren Ade
Arábia Saudita: Barakah Meets Barakah, Mahmoud Sabbagh
Argélia: The Well, Lotfi Bouchouchi
Argentina: O Cidadão Ilustre, Mariano Cohn e Gastón Duprat
Austrália: Tanna EstrelinhaEstrelinha½, Martin Butler & Bentley Dean
Áustria: Stefan Zweig: Farewell to Europe, Maria Schrader
Bangladesh: The Unnamed, Tauquir Ahmed
Bélgica: The Ardennes, Robin Pront
Bolívia: Sealed Cargo, Julia Vargas-Weise
Bósnia Herzegovina: Morte em Sarajevo EstrelinhaEstrelinha, Danis Tanovic
Brasil: Pequeno Segredo Estrelinha½, David Schurmann
Bulgária: Losers, Ivaylo Hristov
Camboja: Before the Fall, Ian White
Canadá: É Apenas o Fim do Mundo, Xavier Dolan
Cazaquistão: Amanat, Satybaldy Narymbetov
Chile: Neruda, Pablo Larrain
China: Xuan Zang, Huo Jianqi
Colômbia: Alias Maria, José Luis Rugeles Gracia
Coreia do Sul: The Age of Shadows, Kim Jee-Woon
Costa Rica: Entonces Nosotros, Hernán Jiménez
Croácia: On the Other Side, de Zrinko Ogresta
Cuba: El Acompañante, Pavel Giroud
Dinamarca: Land of Mine, Martin Zandvliet
Egito: Clash, Mohamed Diab
Eslováquia: Eva Nová, Marko Škop
Eslovênia: Houston, We Have a Problem!, Žiga Virc
Equador: Sin Muertos no Hay Carnaval, Sebastián Cordero
Espanha: Julieta EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, de Pedro Almodóvar
Estônia: Mother, Kadri Kõusaare
Filipinas: Ma’ Rosa EstrelinhaEstrelinha½, Brillante Mendoza
Finlândia: O Dia Mais Feliz na Vida de Olli Mäki EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½, Juho Kuosmanen
França: Elle EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Paul Verhoeven
Geórgia: House of Others, Russudan Glurjidze
Grécia: Chevalier, Athina Rachel Tsangari
Holanda: Tonio, Paula van der Oest
Hong Kong: Port of Call, Philip Yung
Hungria: Kills on Wheels, Atilla Till
Iêmen: I Am Nojoom, Age 10 and Divorced, Khadija Al-Salami
Índia: Visaranai, Vetrimaaran
Indonésia: Letters from Prague, Angga Dwimas Sasongko
Irã: O Apartamento EstrelinhaEstrelinha, Asghar Farhadi
Iraque: El Clásico, Halkawt Mustafa
Islândia: Pardais EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Rúnar Rúnarsson
Israel: Sand Storm, Elite Zexer
Itália: Fogo no Mar EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Gianfranco Rosi
Japão: Nagasaki: Memories of my Son, Yôji Yamada
Jordânia: 3000 Nights, Mai Masri
Kosovo: Home Sweet Home, Faton Bajraktari
Letônia: Dawn, Laila Pakalniņa
Líbano: Very Big Shot, Mir-Jean Bou Chaaya
Lituânia: Seneca’s Day, Kristijonas Vildziunas
Luxemburgo: Voices from Chernobyl, Pol Cruchten
Macedônia: The Liberation of Skopje, Rade Šerbedžija, Danilo Šerbedžija
Malásia: Beautiful Pain, Tunku Mona Riza
Marrocos: A Mile in My Shoes, Said Khallaf
México: Deserto, Jonás Cuarón
Montenegro: The Black Pin, Ivan Marinovic
Nepal: The Black Hen, Min Bahadur Bham
Noruega: The King’s Choice, Erik Poppe
Nova Zelândia: A Flickering Truth, Pietra Brettkelly
Palestina: O Ídolo, Hany Abu-Assad
Panamá: Salsipuedes, Ricardo Aguilar Navarro & Manuel Rodríguez
Paquistão: Mah e Mir, Anjum Shahzad
Peru: Videophilia (and Other Viral Syndromes), Juan Daniel Fernández
Polônia: Afterimage, Andrzej Wajda
Portugal: Cartas da Guerra, Ivo M. Ferreira
Quirguistão: A Father’s Will, Bakyt Mukul, Dastan Japar Uulu
Reino Unido: Sob as Sombras EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½, Babak Anvari
República Dominicana: Flor de Azucar, Fernando Baez
República Tcheca: Lost in Munich, Petr Zelenka
Romênia: Sieranevada EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½, Cristi Puiu
Rússia: Paradise, Andrei Konchalovsky
Sérvia: O Diário de um Maquinista EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Miloš Radović
Singapura: Apprentice, Boo Junfeng
Suécia: A Man Called Ove, Hannes Holm
Suíça: My Life as a Courgette, Claude Barras
Tailândia: Karma, Kanittha Kwanyu
Taiwan: Hang in There, Kids!, Laha Mebow
Turquia: Cold of Kalandar, Mustafa Kara
Ucrânia: Ukrainian Sheriffs, Roman Bondarchuk
Uruguai: Breadcrumbs, Manane Rodriguez
Venezuela: De Longe Te Observo EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Lorenzo Vigas
Vietnã: Yellow Flowers on the Green Grass, Victor Wu

Comentários

comentários

6 thoughts on “Oscar 2017: os estrangeiros”

  1. O Festival de Berlim entrega o prêmio Urso de Ouro e não Leão de Ouro como dito nesta matéria. O Leão de Ouro é entregue pelo Festival de Veneza.

  2. Faltou dizer: o obscuro pequeno segred, de David Schurmann, feito em homenagem a sua própria família, a família Schurmann. Riquíssima família catarinense.

  3. Não vou contestar abertamente a escolha de Pequenos Segredos pelo simples fato de ser absolutamente desconhecido. Mas é muito suspeito terem preterido Aquarius. Muito suspeito.

  4. Esse filme já passou no Fantástico da Rede Globo, com a família verdadeira, com toda aquela comoção que o programa adora transmitir quando acompanha a meiga e valente família. Agora, o filme que levou o Oscar em 2015 foi “Filho de Saul”, com cenas fortes de judeus mortos no campo de concentração nazista. Qual a cara do Oscar?

  5. Sempre a nostalgia do ¨Aquarius¨. Em Cannes, não ganhou nenhum premio. Porque deveria ser o indicado ao Oscar? Porque desmerecer o filme brasileiro indicado? O pensamento esquerdista é conturbado pela extrema devoção à sua causa.

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