Otto; or Up with Dead People

Bruce LaBruce

Raramente eu assisto a filmes durante o Mix Brasil. A seleção, infelizmente, é cheia de filme ruim, mal escrito, mal dirigido, mal interpretado (alguns com cara de filmes pornôs) e isso me desanimou ao longo dos anos. No festival de 2008, assisti a apenas duas sessões: Derek, documentário sobre o cineasta Derek Jarman, e este Otto; or Up with Dead People, do veterano diretor militante Bruce LaBruce que tinha um diferencial: é um filme gay de zumbis.

Mesmo que fosse apenas tosco e não oferecesse nada além disso, o filme já seria um programa bastante original. Mas o longa vai além: Bruce LaBruce e seu “futuro muito próximo” onde as pessoas morrem e retornam como zumbis gays é uma coleção de reflexões sobre preconceito, perseguição e sobre ainda ser um pária diante da sociedade. As idéias são melhores do que realização, muitas vezes simplista como as interpretações fraquinhas de todo o elenco, mas a intenção é o que conta.

O próprio LaBruce afirmou antes da sessão que seu cinema radical foi fazendo concessões para aumentar sua aceitação. Mas isso não diminui o impacto do filme. Ele evoca Romero e suas idéias sobre o comportamento da sociedade, mas seu alvo é muito mais específico. LaBruce não deixa de colocar cenas de sexo explícito em seu filme, cenas que não tem função além de demarcar o território de seu cinema. A marginalidade de zumbis e gays também ganha o apoio da metalinguagem ao retratar um cinema marginal.

Bobo e raso. Engajado e inteligente. Cheio de referências e gratuito. Otto cabe em diversas classificações. É um filme de altos e baixos, visivelmente irregular, mas uma obra com um conceito fechado e extremamente rígido, capaz de criar cenas belíssimas e de muitas vezes se aproximar de uma obra-prima maldita, nada morta, muito viva.

Otto; or Up with Dead People EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½
[Otto; or Up with Dead People, Bruce LaBruce, 2008]

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