Inusitado o lançamento nos cinemas brasileiros deste filme de Gabriele Muccino, rodado há seis anos. Bem antes, por sinal, de O Último Beijo, o longa que deixou o diretor mais conhecido no circuito mais alternativo do país. De certa forma, Para Sempre na Minha Vida antecipa temas e formatos que viriam a ser retrabalhados por Muccino: muitos personagens tentando lidar mais com questões internas do que com o mundo em si, uma certa inquietação frente à imobilidade e uma narrativa democraticamente dividida entre estas personagens, embora sempre estejam claros os protagonistas.

A diferença é a de universos: antes de chafurdar a vida de homens chegando aos 40, Muccino se dedicou a dar uma espiada nos dramas dos adolescentes. Com a ajuda do irmãos mais novo (que também protagonizou o filme), o roteiro co-escrito pelos dois conseguiu dar uma densidade aos problemas de quem ainda não chegou à idade adulta que raramente é vista em filmes com esse foco. A presença de Silvio nos créditos certamente foi fundamental para que o assunto fosse levado a sério. Há belas cenas, todas inseridas num contexto político transformado em revolta escolar. Há Anna Galiena, ainda linda como a mãe que ainda não percebeu que os filhos cresceram. Mas Muccino também filma com certa inocência, com a mesma inocência de quem ainda não olhou para o lado certo.

Para Sempre na Minha Vida EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[Come Te Nessuno Mai, Gabriele Muccino, 1999]

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