Planeta dos Macacos: A Origem

Andy Serkis, James Franco

A evolução de Caesar, o protagonista de Planeta dos Macacos: A Origem, em seu quarto, dentro da casa, na primeira meia hora do filme incomoda um pouco. Os efeitos especiais são visíveis demais e deixam as cenas, bem idealizadas, excessivamente virtuais. A má impressão some nos momentos emocionais do personagem. A performance digital de Andy Serkis, um especialista no assunto, é delicadíssima. Cada detalhe ganha contornos e estofos diferenciados e a tradução dessa interpretação para o chimpanzé criado pelo computador é exata.

Serkis, por sinal, é o astro-maior do filme. Ele é a principal arma do diretor desconhecido, Rupert Wyatt, para imprimir ao material um caráter épico. O cineasta conduz o filme num crescendo sem fim, com algumas cenas realmente memoráveis. A primeira delas, a perseguição ao vizinho, rouba o fôlego do espectador. As demais vêm como capítulos da ascensão dos macacos: às vezes, elas são simples, como o “diálogo” entre Caesar e Maurice ou emblemáticas, como a palavra que calou o cinema. Às vezes, são apenas imagens poderosas, como a cavalgada de protagonista ou a descoberta das armas.

Wyatt costura tudo isso ao universo criado pela série original, com uma citação à Icarus, a nave do filme original, “pontas” do Charlton Heston e homenagens a vários atores dos primeiros longas nos nomes dos personagens. O próprio filme é um remake de A Conquista do Planeta dos Macacos. Um remake, não. Uma reimaginação, como se convencionou chamar já que apenas a proposta é a mesma, a história segue rumos diferentes.

O diretor trabalha com arquétipos em seu exército: há o líder, o conselheiro, o mártir. Há as intrigas shakespereanas, que parecem inspirar de certa forma a própria história do filme, seja na relação pai-e-filho, seja nos bastidores do “palácio”. Tudo usado sem barulho, com discrição e respeitando o caráter de filme B que o longa carrega consigo. E Caesar, líder, rei, outsider, junta tudo isso. Ave, Caesar!

Planeta dos Macacos: A Origem EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[Rise of the Planet of the Apes, Rupert Wyatt, 2011]

Comentários

comentários

2 thoughts on “Planeta dos Macacos: A Origem”

  1. Não consegui encontrar tantas qualidades quanto você citou. Vi algumas delas mais como fatores risíveis do que como algo realmente engenhoso. Mesmo assim, é um bom filme que superou minhas expectativas.

  2. Acho que o filme resguarde suas semelhanças com A Conquista do Planeta dos Macacos, sim, mas não é uma reimaginação, muito menos refilmagem. Em A Fuga do Planeta dos Macacos, Cornelius conta a história sobre o primeiro símio a dizer “não”. E essa é a história que Planeta dos Macacos: A Origem conta.

    Agora, realmente, a cena que calou o cinema. Poucas vezes vi tamanha reação dentro de uma sala.

    Forte abraço, meu caro!

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