POR UM FIO

O novo filme de Joel Schumacher dividiu opiniões. Uns o chamam de genial e outros de uma boa idéia desperdiçada. Mas de uma coisa ninguém duvida: o cineasta que destruiu a carreira cinematográfica do Batman fez um filme delicioso. Colin Farrell interpreta muito bem um agente que faz de tudo para vender seus clientes e vender sua própria imagem. Mente sem culpa. Inclusive para a própria esposa, para a namoradinha e para o estagiário que escraviza. Todos os dias, faz ligações de uma mesma cabine telefônica. O que ele não sabe é que alguém o vigia passo a passo.

Farrell se descobre preso numa cabine telefônica pelas chantagens do seu perseguidor. Mais que espacial, sua prisão é emocional. O agente não consegue escapar da teia que ele mesmo teceu. O jogo entre caça e caçador é tenso e instigante, leva a níveis quase insuportáveis de pressão. O roteiro de Larry Cohen (o improvável diretor do improvável clássico trash Nasce Um Monstro) é muito mais psicológico que de ação.

Por Um Fio invade a mente do protagonista e o exaure. Faz o mesmo com o espectador. Com uma edição paralela, o filme é plasticamente impecável e ainda consegue modernizar um velho recurso de linguagem: as janelinhas. Se o final não é aquele que você esperava (ou que não esperava), bobagem. O que importa é que Por Um Fio é tão instigante e perturbador que até chegar no final, ele já terá valido a pena. E muito.

Por Um Fio
Phone Booth, EUA, 2003
Direção: Joel Schumacher
Elenco: Colin Farrell, Forest Whittaker, Radha Mitchell, Katie Holmes, Paula Jai Parker, Kiefer Sutherland, Arian Ash, Tia Texada, John Enos III, Richard T. Jones, Keith Nobbs, Dell Yount, James MacDonald.
Roteiro: Larry Cohen. Produção: David Zucker. Fotografia: Matthew Libatique. Direção de Arte: Andrew Lars. Música: Harry Gregson-Williams. Edição: Mark Stevens. Figurinos: Daniel Orlandi.

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