Leonardo Di Caprio, Tom Hanks, Christopher Walken

Prenda-me Se For Capaz não tem cara de filme de Steven Spielberg. O cineasta, geralmente associado a extraterrestres, dinossauros ou arqueólogos aventureiros, parece bem distante do universo das pessoas reais, como Frank William Abagnale Jr, um dos maiores falsários da história dos Estados Unidos. Foi o livro dele, que conta a vida dele, que Spielberg escolheu para adaptar para o cinema no final do ano passado. História que chega às telas como um filme surpreendente.

O maior trunfo do cinema de Spielberg (e seu maior alvo de críticas também) é a simplicidade de seus filmes. Simplicidade na maneira de contar uma história em contraponto com os magnifícios recursos que consegue utilizar para tanto. Simplicidade que atrai e conquista o espectador. Talvez o cineasta nunca tenha sido tão simples como em Prenda-me Se For Capaz, mas é aqui que ele consegue um de seus maiores êxitos.

Frank é um anti-herói norte-americano. E Spielberg é um bom moço. A química improvável funciona graças ao amadurecimento do cineasta e seu desprendimento em adotar para si um protagonista fora-da-lei, ainda que ele que esconda uma motivação nobre: unir a família. O texto de Jeff Nathanson, que adapta o livro, se conduz pelo humor e pela delicadeza, sorvidos até a última gota pela direção inteligente de Steven Spielberg. O cineasta aproveita cada detalhe, mostra cada pequena coisa, e cria o cenário perfeito para os atores.

Leonardo Di Caprio incorpora o espírito sem limites de Frank na sua melhor interpretação desde o já longínquo Gilbert Grape (93). Diferentemente de Gangues de Nova York (02), onde sua performance parece espontaneamente contida para deixar o verdadeiro astro Daniel Day-Lewis tomar conta, aqui é Di Caprio quem domina. O ator é a alma do filme, que dificilmente seria tão perfeito sem ele. Mas que também deve aos coadjuvantes. Tom Hanks é o opositor perfeito, o homem normal que também é agente do FBI. Ele foge de todos os estereótipos possíveis aqui (e são muitos e diversos), equilibrando o cômico e o sensível. Já sobre Christopher Walken há pouco a falar e sim a reverenciar. A cena do almoço entre pai e filho é uma das mais belas do cinema recente.

O ritmo e o clima são ágeis e leves, conduzidos pela deliciosa música do maestro John Williams e reproduzidos na bela direção de arte, nos figurinos e nas imagens. E é justamente a fotografia ensolarada de Janusz Kaminski que parece ter tomado conta do cineasta. Os anos 60 são uma época de explosão de cores e de luz. A alegria contagiante presente em cada momento de Prenda-me Se For Capaz é a do diretor em contar essa história. Uma brincadeira de verdade para o cineasta das brincadeiras. Termino de ver o filme com um sorriso no rosto. E acho que não fui só eu.

Prenda-me Se For Capaz 
[Catch Me If You Can, Steven Spielberg, 2002]

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