Quarteto Fantástico

Depois de conceber Poder Sem Limites, um belíssimo filme de estreia que trazia heróis para um mundo muito mais real do que estamos acostumados a ver e mergulhava em personagens complexas, trazendo o drama do adolescente em vários níveis para o centro da trama, Josh Trank parecia ser a pessoal ideal para dar nova vida ao Quarteto Fantástico no cinema. O reboot sonhado pela Fox, que detém os direitos sobre o supergrupo da Marvel, assim como tem os dos X-Men, poderia estabelecer com este filme um universo compartilhado para seus heróis nos moldes do que seus rivais têm criado com bastante sucesso. Mas os planos do estúdio estão oficialmente frustrados. Tanto os boatos que cercaram a produção conturbada quanto as primeiras críticas ao novo longa infelizmente são verdadeiros: o novo Quarteto Fantástico é um filme ruim.

O “decreto” dos críticos não é exagerado. O longa tem tantos problemas que fica até difícil elencá-los sem correr o risco da análise parecer obsessivamente negativa. De um modo geral, há um conflito entre o tom do filme, que se pretende mais sóbrio e profundo do que o dos longas infantilizados que Tim Story dirigiu na década passada, e o roteiro, muitas vezes primário, que parece ter sido escrito às pressas, diante de tantas frases feitas e lugares comuns, que anuncia a cada sequência o que está acontecendo em diálogos explicativos e que rarissimamente se dedica a explorar as personagens. A ideia saudável de tentar se aproximar da maior complexidade que o cinema deste gênero pede hoje desaparece e, se não forem realmente melhores, os filmes de Story parecem ao menos mais coerentes ao se assumirem como aventuras descartáveis.

Trank parece ter tido sérios problemas com o estúdio em relação ao que cada um esperava do projeto. Assustado com as reações ruins, teria tuitado uma frase emblemática: “um ano atrás eu tinha uma versão fantástica disso. E ela teria recebido ótimas críticas. Vocês provavelmente nunca a verão. Essa é a realidade”. As farpas podem indicar que as interferências da Fox teriam transformado radicalmente o projeto, convertendo-o num filme de origem menos arriscado, embora a história tenha suas ousadias, se aproximando mais do grupo em sua versão Ultimate nos quadrinhos. Podem explicar inclusive o descaso completo com uma personagem tão fundamental como o Dr. Destino, resumido a um adolescente revoltado com o mundo que ganha poderes e coloca em prática um plano maligno para destruir o que considera incurável. Já passamos dessa fase.

Mas será que os atritos entre cineasta e estúdio explicariam a falta de cenas de ação realmente empolgantes, o cenário frio que não ajuda a causar empatia com as personagens, a apresentação do grupo em ação que segue um roteiro batido, onde cada um demonstra seus poderes e se dá mal e depois resolve agir em conjunto para evitar o 7×1? Será que justifica o fato de Reed Richards, um dos homens mais inteligentes da Marvel, apontar para o efeito especial para dar uma explicação didática do que está acontecendo antes da luta contra o vilão? Certamente não ajuda a entender como um estúdio que ganhou tanto dinheiro com a franquia mutante aceita cenários sem vergonha que parecem cromaquis e efeitos visuais muitas vezes primários. E não justifica também o visual equivocado do vilão ou os uniformes preguiçosos dos heróis.

A escalação de Michael B. Jordan como Tocha Humana, a maior polêmica nos bastidores, foi o menor dos problemas. O ator pelo menos tenta recuperar o tom irresponsável do herói – que Chris Evans encarnou bem melhor nos filmes de Story, diga-se – e parece mais à vontade do que o resto do elenco, sobretudo em relação a Miles Teller, apático, e Kate Mara, excessivamente sisuda. Tanto Jamie Bell quanto o Coisa são relegados a segundo plano, mas incômodas mesmo são as interpretações de Reg E. Cathey, como Franklin Storm, pai de Susan e Johnny, dono do pior texto do longa, e Toby Kebbel, como Destino, que parece antagonista de novela teen embora tenha sido um vilão furioso em Planeta dos Macacos: O Confronto.

Tantos problemas se somam ao fato de que reboots geralmente são mal vistos pelo público. E se a bilheteria reagir tão mal ao filme quanto à crítica, o segundo longa do grupo, agendado para 2017, fica comprometido e a ideia de unir o quarteto aos mutantes no cinema, mais ainda. Resta saber se a Fox abriria mãos dos direitos e do orgulho e devolveria a trupe de Reed Richards para a Marvel nos cinemas. Para o estúdio, seria uma derrota pior do que a de vilão de quadrinhos. Para o espectador, um fio de esperança. Para Josh Trank, o ideal agora é procurar um projeto pequeno para tentar reconstruir uma carreira promissora. Ele já perdeu um dos longas solo de Star Wars e isso pode ser apenas o começo.

Quarteto Fantástico Estrelinha½
[Fantastic Four, Josh Trank, 2015]

Comentários

comentários

28 thoughts on “Quarteto Fantástico”

  1. Essses rebbots de filmes recentes sempre me cheira uma coisa – dinheiro, dinheiro, dinheiro-…. A maioria são filmes sem alma, sem emoção, sem nada!

  2. De novo, assim como no batman vs. Superman a uol peça em postar um comentário de um blogueiro frágil, todos os sites e pessoas de entretenimento fazendo críticas positivas e você vem aqui criticar com argumentos muito falhos, assim como no trailer de batman vs. Supremas que foi um dos melhores trailers que já vi e que tiveram as melhores críticas, blogueiros que nem você vê maquiem tentam estragar um filme bem produzido, triste realmente a uol postar isso….

    1. Thiago, você está vivendo no mundo da fantasia- esse filme tem as piores críticas de um filme de super-herói desde o Batman & Robin do Joel Schumacher, sendo detonado quase que unanimemente pela crítica mundial.

    2. Thiago, você está vivendo no universo paralelo do filme ? Onde você viu criticas positivas a este filme ? Eu nem vi o filme ainda, mas já li em vários sites que o filme é muito ruim, chega a ser pior que Lanterna Verde que é ruim, pela minha desconfiança eu já ia no cinema em um dia que pagasse barato, hoje estou ainda mais certo disso.

    3. FAvor citar os sites especializados que fizeram críticas positivas… não precisa ser em portuguuÊs ou inglÊs, pode ser em servo-croata, russo, etc …

  3. Filmezinho meh. Achei o início e o desenvolvimento até legal, por breves momentos vc sente que acertaram na mão, e até se empolga. Então vem o desfecho, que é fraquíssimo. O Dr. Destino conseguiu ser pior ainda que o anterior.

    Não sei se esse grupo tem muito potencial. Na mão da Marvel seria pouca coisa melhor, talvez um filme mediano.

  4. Típico filme da Marvel, onde o diretor escreve qualquer roteiro (sem emoção, sem história), faz um marketing monstruoso e lucra milhões com o público-alvo. Até a crítica chegar nos espectadores, o filme já lucrou horrores. O resto que se da.n.e.

  5. Eu vi outra matéria no UOL falando tão bem do filme, e antes dele sair, que até parecia publicidade! Eu já imediatamente disse que não iria ver! Já não estava contente, e quando vi o tocha negro, foi a gota d’água! Os estúdios estão pensando apenas em $$$, acham que quem assiste é bobo, compra qualquer coisa! Querem $$$ precisam produzir com qualidade! Antigamente não tinha filmes de heróis, esperei por uma eternidade por Homem Aranha, quando os estúdios acordaram e viram que herói da muito dinheiro, aí começaram a fazer filmes e mais filmes! Acho ridículo um lag de 2 anos, entre dois filmes, se o projeto é bom, contratem os atores para uma trilogia e lançem 1 filme por ano! Toda hora mais do mesmo, já assisti Quarteto Fantastico 1 e 2, se não tiveram competência para fazer o 3, que façam outra coisa! Adorei os Guardiões do Universo, está demorando para ter a continuação. Pagaram uma fortuna para o Downey Jr. (homem de ferro 1,2,3 Sherlock Holmes 1,2) fazer o homem de ferro, vingadores, e isso garantiu o sucesso dos filmes. Trocar os atores e começar tudo novamente é entediante!

  6. Acabei de ver o filme!!! Começa muito bem, dá a impressão de q vai ser uma obra à la Poder Sem Limites, depois realmente “mela” tudo, dá a impressão que o roteirista e o diretor não sabia o q fazer e foi tentando encaixar as coisas, aí o filme fica deprimente e o próprio filme não vê a hora de acabar. O filme não é ruim é, na realidade, FRACO. Pra mim…a grande decepção do ano!!!!

    1. Assisti onem com meu filho, fraco, sem pé e cabeça, nada haver com a história do HQ, Susan e Storm são irmãos adotivos? nada haver.
      Única coisa que prestou foi o COISA, a nova roupagem ficou legal.

  7. Em quase 90 minutos, não esperava a hora de terminar, o filme é ruim. Mas muito ruim. Alem da deturpação original da história, o filme e bem fraco, não vale a pena. Em minha opinião o Quarteto Fantástico só eles, não funciona nos cinemas (e nem nos quadrinhos), ele depende muito dos demais Herois galácticos agregados e vilões ultra power para virar algo. Assim provavelmente possa vingar um filme.

  8. Alguém deixa de ver filme por causa de opinião de crítico ou blogueiro? Eu decido o que ver e tenho capacidade de ao final emitir uma opinião de acordo com o meu gosto. Ainda em tempo, muitos falam bem do filme.

  9. A salvação para o Quarteto é uma só: Voltar para a Marvel. Ou em definitivo ou com um acordo costurado, igual a Sony sobre o Spider-Man. A Fox nunca foi um ás de competência quando se trata de filmes de super heróis. Eles deram uma melhorada considerável com X-Men: First Class e sua continuação, bem como no Wolverine Imortal, mas analisando bem algumas cenas da produção do X-Men: Apocalypse, já me deixaram um tanto receoso em ver novamente outra porcaria da Fox. Até o momento só estou colocando fé no Deadpool.

  10. agora sim, diante desta negativa toda, estou certo de é um bom filme, confiar nestes críticos que esculhambaram blade runner e agora depois de 30 anos reverenciam o filme, rsrsr. Agora sim, sinto que se trata de um filme muito bom.

      1. Renato Dias, o filme é ruim, independente da credibilidade que você der a aos críticos.
        Quanto a Blade Runner o fracasso foi de bilheteria também, não foram só os críticos que rejeitaram o filme, provavelmente tratou-se de um filme cuja temática era estranha à crítica e ao público da época.

  11. não vejo um filme de herói legal desde o coringa interpretado pelo Heath.
    hoje em dia tudo é computação gráfica, o menos pior foi o justiceiro de 2004.

  12. Eu li a crítica e para mim não faz diferença alguma,pois cada um tem a sua opinião. Simplesmente resolvi não assistir ao ver 60 segundos do trailer,e ser absolutamente contra a refilmagem da refilmagem de um filme que havia sido bacana,apenas 10 anos depois.O primeiro era tosco,o segundo foi bacana,este terceiro não quero nem assistir.

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