Quarteto Fantástico

As deturpações históricas nas adaptações cinematográficas de heróis de quadrinhos já nem me incomodam tanto. É preciso contar uma história e a maioria delas já é bem grande, então, “vamos condensá-las”. E as mudanças no passado do Quarteto Fantástico são justamente o menor dos problemas do filme dirigido por Tim Story. Para começar, a própria escolha do diretor para comandar o grupo é bastante questionável se havia gente como Steven Soderbergh e Sean Astin no páreo, ainda mais depois do fracasso de Táxi, o filme anterior de Story.

Assim como Demolidor, este filme tem, digamos, boas intenções (apesar de o diretor se mostrar bem menos apaixonado pelo universo das HQs que Mark Steven Johnson, que era fraco mas explorava um terreno que conhecia. Story não tem mão para fazer um filme de heróis: tenta explorar as relações familiares, mas termina numa conversa de comadres em boa parte do filme. O texto é pouquíssimo inspirado, a não ser na primeira meia hora de piadas do Tocha Humana, que ganhou a melhor interpretação do filme.

Chris Evans, que acelera o mesmo perfil de sua personagem no ótimo Celular, está bem à vontade com seu Johnny Storm. O Coisa de Michael Chiklis também não faz feio, mas a dupla Sr. Fantástico + Mulher Invisível ganhou performances assombrosas e o Dr. Destino foi desfigurado pelo canastrão que o interpreta. Se o elenco não ajuda, o que emperra ainda mais o filme é a falta de impacto: não há conflito, não há subtramas (a do Coisa é apenas pincelada) e o roteiro segue uma linearidade tão conformada e preguiçosa que chega a irritar.

Quarteto Fantástico EstrelinhaEstrelinha
[Fantastic Four, Tim Story, 2005]

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