Se Beber, Não Case! Parte III

Se Beber Não Case - Parte III

A piada de Todd Philips durou cinco anos e três longas até finalmente se esgotar. Se o segundo capítulo da série que arejou o besteirol americano já deixava a desejar, Se Beber, Não Case – Parte III é um filme que depende exclusivamente de seu passado para seguir em frente – e mesmo assim não sai muito do lugar. Nem a presença de Melissa McCarthy, num papel que é pouco mais do que uma ponta, consegue dar fôlego novo à comédia, que reprisa ideias e cacoetes dos filmes anteriores, sob o pretexto de estar revisitando uma mitologia, apostando num pré-envolvimento do espectador com os personagens.

Zach Galifianakis assume de vez o protagonismo, engolindo o espaço dos colegas de elenco, sobretudo Ed Helms, que tem direito a apenas uma cena de destaque no novo longa. Mas se o sujeito maluco interpretado por Galifianakis dava o diferencial aos outros episódios – era o coadjuvante de luxo, que pontuava o humor do diretor ao longo dos filmes -, sua superexposição aqui torna o personagem cansativo. O roteiro gira em torno da proposta de internação de Alan numa clínica, quebrando a tradição de abrir os trabalhos com um casamento, para em seguida buscar soluções de história onde tudo começou, no primeiro filme.

Não foi desta vez que Justin Bartha aumentou sua participação num filme, que reprisa a mesma ideia relacionada a seu personagem no longa original, mas até Bradley Cooper aparece com discrição, sobretudo quando a ideia é reforçar a forte atração de Alan por Phil (na cena da marreta, na cena do celular, na cena da sacada e, principalmente, na cena do sofá). Quem se dá melhor é Ken Jeong, que reassume o papel de Leslie Chow e garante algumas risadas revivendo suas gags, mas parece ter a mesma função que Galifianakis no andamento do roteiro.

Todd Philips parece realmente querer fechar o conceito de trilogia, fazendo referências diretas tanto à trama quanto ao cenário do longa de 2009, reutilizando trechos de cenas e recuperando inclusive personagens de cinco anos atrás. Esse memorial a que o cineasta recorre gera uma sequência interessante, retomando por alguns minutos uma dupla que fez sucesso no filme original, mas o diretor confia tanto nos personagens que criou que não se preocupa muito em oferecer algo de novo, nem que seja uma piada. OK, tem a girafa, mas isso se esgota antes dos dez minutos de filme e o espectador ainda tem uma hora e meia pela frente.

Se Beber, Não Case! Parte III EstrelinhaEstrelinha
[The Hangover – Part III, Todd Philips, 2013]

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