Sede de Sangue

A cada filme que passa, Chan-wook Park precisa me provar que é realmente um bom cineasta. Desde que dirigiu o neoclássico Oldboy, de 2003, o coreano já fez três filmes – e nenhum deles chegou aos pés de seu trabalho mais famoso. Sede de Sangue, que estreia no Brasil com quase um ano de atraso, é um filme decepcionante. Não dá pra acreditar que Park tenha tomado decisões tão questionáveis com um plot tão interessante (um padre vampiro). O roteiro não tem a medida certa para dosar o humor negro que o filme pretende tomar para si. E o resultado é que, para cada cena boa – e há algumas ótimas, como a sequência final ou o momento em que o protagonista resolve “fazer” uma companheira – há umas três ou quatro cenas ruins, em que o diretor abusa do pastelão – sem parcimônia – e o resultado fica desequilibrado. O filme tem uma bela embalagem visual e sonora, marca do cineasta, mas na maior parte de sua (longa) duração é oco.

Sede de Sangue EstrelinhaEstrelinha
[Thirst, Chan-wook Park, 2009]

Comentários

comentários

9 thoughts on “Sede de Sangue”

  1. Grandíssimo Chico!

    Ainda não tive a oportunidade de assistir este novo do Chan-wook (sou fã do trabalho do diretor), mas ontem aluguei A Sétima Vítima, que você indicou aqui no blog, e me parecia bem promissor. No entanto, achei toda a experiência bem convencional e brochante. Aquela montagem entrecortada, exageradamente utilizada no decorrer do filme, e os vultos “cortando” a tela já estão bem batidos, não acha? O final é realmente interessante, mas pra chegar até lá…

    Um forte abraço!

  2. Alexandre, de qual “A Sétima Vítima” estamos falando? O americano de 43 ou o espanhol dos anos 2000?

    Mandy, eu gosto de “Sr. Vingança” e adoro “Oldboy”, mas não suporto aquele “Lady Vingança”.

  3. Eu gostei bastante do “A Sétima Vítima” espanhol. Acho um filme bem decente sobre ocultismo.

    Ainda não vi o remake de “Aniversário Macabro”. Verei em breve.

  4. Acho que o comentário acima ficou arrogante.

    O que quero dizer é que, apesar do filme ser arrastado e torturante, é bem feito, há um sentido. No Sede de Sangue há luta entre a carne e o certo que somente pode prevalecer pela vontade e pela religião (que dá a noção de certo e errado), o vampiro padre ainda tentava se controlar, já a vampira pagã não tinha o menor pudor em satisfazer sua lascivia – a cena final do sapato representa bem a necessidade de ser guiada, etc.
    Já o Lady, outro filme que conhecer o final é um exercício de persistência, é outro exemplo em que o diretor conseguiu fazer o público sentir a frustação da vingança concretizada pela protagonista.
    Face o exposto, acho que se o Park continuar neste caminho, transformará seu cinema num cinema de boutique, para poucos, como ocorreu com David Cronenberg…

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