Sobrenatural

James Wan e Leigh Whannell são os principais responsáveis pela monstruosa tsunami de filmes de tortura que domina o terror no cinema há alguns bons anos. A dupla assinou direção e roteiro de Jogos Mortais, um filme de exploitation plastificada que não gerou apenas uma série de tumores secundários como infectou meio mundo e espalhou a metástase pelo gênero. Por isso mesmo, é surpreendente que esses mesmos dois tenham feito, sem recorrer à violência explícita, o filme de espíritos mais assustador dos últimos anos.

Sobrenatural é tudo o que Revelação, de Robert Zemeckis, tenta, mas não consegue ser: uma homenagem aos longas de terror dos anos 70 e 80 que passeavam por casas assombradas e colocavam os personagens frente ao desconhecido. E o filme faz isso da maneira mais simples e eficiente possível. Os criadores usam os elementos mais clássicos do gênero (vozes macabras, aparições na janela e vultos pela casa) sem chances para que o espectador pare para respirar. E não se trata de velocidade, mas intensidade. O resultado é um assombro. De verdade.

É interessante como o roteiro avança pelo tema. O sobrenatural surge com insinuações, mas vai se materializando aos poucos até o momento em que assume completamente a mitologia do gênero, com direito a caçadores de fantasmas e uma legião de seres de outro mundo. Wan sabe manter o mistério, dando um tratamento visual macabro ao filme, embora nunca passe do ponto. O diretor se arrisca muitas vezes nesse processo, mas, exceto pela cena em que o protagonista chega ao covil do inimigo, tudo se encaixa direitinho.

A escalação do elenco ajuda a dar corpo ao filme. Patrick Wilson e Rose Byrne estão muito bem. E Lin Shaye e Barbara Hershey nos fazem crer em parapsicologia. Atores sérios projetam o filme, que passeia com orgulho pelos limites entre o kitsch e susto, para literalmente outro plano. Criam um tipo de relação mais sólida com o espectador. Aproveitando essa sustentação, Wan cria intermináveis sequências de pavor. E, me perdoem os defensores do cerebral, das texturas e do improviso, mas é exatamente isso o que a gente espera de um filme de terror.

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[Insidious, James Wan, 2010]

Comentários

comentários

7 thoughts on “Sobrenatural”

  1. Prefiro a direção do zemeckis. Gostei do filme, me diverti, me envolvi e senti medo. Mas a falta de acabamento de algumas soluções do roteiro (e de algumas cenas) não me deixou empolgar tanto.

  2. Não tenho certeza se meu comentário anterior seguiu adiante, acho q. ficou no além… rsrs Bom, eu gostei bastante do filme, mas o terço final me decepcionou com sua visão do “além” bem aquém do q. o filme permitia supor, de qq. forma, o final ousado recupera a força do filme e ele realmente dá mtos sustos, mas confesso q. sessões espíritas foram melhor filmadas por Kiyoshi; Brian Forbes; Fritz Lang; o cara q. fez “O Orfanato” e Khouri em “O Desejo”, neste filme faltou alguma nas sessões espíritas, mas as atrizes mandaram bem.

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