Sonata de Tóquio

Embora eu tenha duvidado dele no início da meia-hora final, em que as catarses dos personagens vêem à tona com certo destempero, é um dos melhores filmes da Mostra até agora. Talvez seja o melhor. Kurosawa se afasta um pouco de seu foco habitual para voltar a atenção para um Japão pouco explorado no cinema, um país impiedoso com quem fica de lado. Nesse Japão mostrado pelo diretor, os personagens são obrigados a conviver com seus próprios abismos enquanto buscam um rumo a seguir. Kurosawa é um cineasta de uma habilidade impressionante na criação de cada cena. Os elementos parecem conversar entre si e a imagem mais comum sempre parece valorizada ao máximo. Aqui, esse talento ajuda a desenvolver o vazio de cada personagem, sempre se apropriando de um timing preciso para contar a história. Mal comparando, é como se Babel fosse bem escrito e bem filmado.

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[Tôkyô Sonata, Kyoshi Kurosawa, 2008]

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