É curioso, mas em Swimming Pool, François Ozon faz uma reflexão semelhante a que faz Tim Burton em Peixe Grande, lançado do mesmo ano, embora siga um caminho mais ousado e menos romântico. O filme mostra o encontro de uma escritora em crise criativa, vivida por uma ótima Charlotte Rampling, e uma jovem de espírito livre – e corpo ainda mais -, papel da promessa Ludivine Sagnier. Adepto ao truque, o cineasta parece estruturar sua obra como um drama onde uma personagem serve de a inspiração para a outra até que nos revela um longa metalingüístico sobre a arte de escrever uma história. Consegue costurar isso tudo e ainda citar os filmes noir norte-americanos, trazendo elementos kitsch à narrativa, com personagens sem pudor e associando a figura feminina ao perverso.

Swimming Pool

Em proporções bem mais discretas, emula algo da fórmula de David Lynch, que em muitos de seus filmes utiliza elementos de sonho para desenvolver sua narrativa, incorporando pequenos espasmos de realidade na história que se põe a contar. No longa de Ozon, personagens trocam de papéis durante a trama, assumindo postos mais úteis justamente para o desenvolvimento da história. O diretor joga nas mãos do espectador o poder de determinar os limites entre fato e conto, ou a possibilidade de escolher a ambigüidade, porque, como parece dizer, a função de um criador de histórias é justamente fazer com que seu universo seja crível o suficiente para existir. Mas, quem define o quão real ele é, é quem lê o livro ou vê o filme. O mundo é como você acredita que ele seja.

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[Swimming Pool, François Ozon, 2003]

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