Olivia Colman, Peter Mullan

Em seus mais de dez anos de cinema, Paddy Considine sempre entregou belas e discretas interpretações, com destaque para o papel em Terra de Sonhos, de Jim Sheridan, injustamente esquecido nas premiações daquele ano. Como diretor, o intérprete competente se demonstra fiel a um drama tipicamente inglês – violento, seco e triste – muito caro a diretores como Mike Leigh ou Ken Loach, ainda que sem o cunho social.

Considine visita o universo dos personagens angustiados, que carregam consigo traumas e dores que não cabem neles. Como em outros diretores britânicos, ele parece contaminá-los pelo clima frio e confiná-los em uma vida solitária. O protagonista Joseph desconta no mundo sua história de frustrações. Abusa da violência verbal ou física para transferir a dor que sente para o outro. Peter Mullan, ator freqüente de Loach, numa de suas melhores performances, trata de dar contornos ao personagem.

A outra protagonista, Hannah, é o oposto complementar de Joseph. Também guarda uma história de abusos e sofrimentos, mas não a divide com ninguém. A interpretação é de Olivia Colman, que já passeou pela comédia – fazendo papéis inclusive em Chumbo Grosso, de Edgar Wright – mas que aqui entrega uma das personagens mais sensíveis desta década: uma mulher frágil que encontra na brutalidade de um estranho o conforto necessário para por fim a seu calvário.

Mesmo sem experiência na direção, Considine administra com muita propriedade os dramas dos personagens. Embora o final da trama tenha algo de conciliador, o diretor busca um caminho menos óbvio para amarrar as duas histórias. Quem sabe seja esse o começo promissor de uma nova carreira?

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[Tyrannosaur, Paddy Considine, 2011]

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