A proposta deste pequeno filme irlandês é muito boa: investigar, ainda que superficialmente, a instabilidade das relações amorosas de hoje em dia. O assunto dá pano para mangas, golas e bainhas. O efêmero na vida a dois é relativamente pouco explorado no cinema, que ainda acredita no amor definitivo, eterno, infalível. Liz Gill, ex-assistente de Martin Scorsese, parte então de um tema bastante válido para dar seqüência a sua comédia de costumes. O problema é como a diretora desenvolve seus encontros e desencontros.

Todas as Cores do Amor se ergue sobre recursos desgastados: o primeiro é o do filme de muitos personagens, onde as histórias se misturam para justificar a vulnerabilidade das relações. Robert Altman seria mais cuidadoso em determinar os caminhos para seus personagens. Liz Gill até tem um texto esperto, mas ele só funciona para criar situações óbvias, pintadas com cores mais contemporâneas. Aliás, o mundo contemporâneo é, por si só, outra justificativa para que o amor seja finito, segundo a diretora. Os pares flutuam porque a sexualidade flutua, os interesses (não necessariamente os sexuais) flutuam e a liberdade de um milênio que engatinha faz com que as convicções flutuem. Mas essa contemporaneidade termina sendo negada no fim do filme, quando Liz Gill opta por finais felizes, complacentes, arrumadinhos e bobos de tão simpáticos.

Todas as Cores do Amor EstrelinhaEstrelinha
[Goldfish Memory, Liz Gill, 2003]

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