Todo o Dinheiro do MundoÉ uma verdadeira agonia não conseguir imaginar uma só razão para alguém se interessar em fazer um filme. Mesmo que os motivos sejam tortos ou questionáveis, mesmo assim é importante entender a intenção de um diretor, principalmente quando esse diretor tem uma carreira longa e alguns clássicos no currículo. Dito isso, alguém sabe sobre o que é Todo o Dinheiro do Mundo? Alguém explica?

Não é bem uma biografia, apesar de ser baseado em fatos e personagens reais. Não é um filme sobre ganância apesar de às vezes querer parecer tratar do assunto. Não é um drama familiar porque é quase tão frio em relação a seus protagonistas quanto estes são frios entre si. Não é um thriller – pelo menos não um bem sucedido – porque não sabe administrar o suspense, tem um timing todo errado e porque insiste numa trilha que tenta ser algo sarcástica, como se revelasse suas verdadeiras intenções, mas é tão insignificante que você esquece da música logo depois da cena acabar.

Certamente a troca de Kevin Spacey por Christopher Plummer pode ter balançado o equilíbrio do conjunto; o personagem parece mais se adequar ao perfil do assediador. Mas isso não justifica as atuações insípidas do resto do elenco; a fotografia manipulada para ficar pálida e escura, o que quase faz o espectador não enxergar o que acontece na tela; a falta de sutileza, a desatenção com os detalhes; a construção de personagens tão desinteressantes. O consolo é a cena final. Não porque tenha uma grande sacada de texto ou direção ou interpretação, mas porque põe fim à fadiga de um dos filmes mais chatos e sem explicação do ano.

Todo o Dinheiro do Mundo Estrelinha½
All the Money in the World, Ridley Scott, 2017

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