Turnê marca o retorno do ator Mathieu Amalric à direção de um longa-metragem depois de sete anos. O filme foi imediatamente comparado aos trabalhos de John Cassavetes – e há uma certa razão. Amalric parece partir do improviso, abusando de uma direção naturalista, onde a única interpretação verdadeiramente “encenada” é justamente a dele. O francês é um dos melhores atores dos dias de hoje e parece sempre impor disciplina a um caos próprio. No entanto, aqui, talvez para equilibrar o clima do filme, já que suas atrizes-dançarinas de primeira viagem são explosão pura e simples, ele assume o papel de ator sério.

Um grande diferencial é que o cineasta não conta propriamente uma história, prefere acompanhar a trupe de dançarinas americanas – e seu empresário francês – em sua turnê pela costa da França como que num vídeo-registro. A câmera captura o cotidiano colorido do grupo e seu humor ácido, quase sexual, como se estivesse de passagem. E é aí que o cineasta acerta ao batizar seu filme: como diário de viagem, Turnê funciona lindamente. Quando tenta inserir um drama a seu personagem, o filme perde o foco, parece claramente querer dar substância a um material rico justamente pelo evasivo, pelo fugaz. Mesmo assim, ainda é uma obra rara.

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Tournée, Mathieu Amalric, 2010

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