Acredito que muita gente deva se interessar pela proposta leve do filme de estréia de Liev Schreiber, baseado num livro que vendeu pra caramba, mas eu realmente não consegui ter qualquer grau de envolvimento. Primeiro, me parece muito esquemático todo o trabalho visual do longa, dono da fotografia com as cores mais vivas dos últimos tempos, e a direção de arte que é fundamental para ressaltar a esquisitice do protagonista e dos que cruzam seu caminho. Protagonista que até é bem defendido por Elijah Wood, mas que é tão interessante quanto a mania do seu tio de colecionar selos africanos ou soldadinhos de plástico… Errr… bem, quem sou eu para questionar as pequenas (ou grandes) obsessões do outros?

Schreiber – e antes dele, Jonathan Safran Foer – tenta justificar a excentricidade de sua personagem, o próprio Froer, por sua origem. Jonathan, o protagonista, volta para a velha e boa Ucrânia para tentar descobrir uma mulher no passado de seu avô, e lá entra em contato com um povo e um país tão excêntricos quanto ele mesmo. Ou seja, descobre suas raízes, mergulha na sua “verdadeira essência”. As particularidades sempre surgem travestidas de exóticas e servem para conquistar o carinho do público pelo diferente, pelo primário, por aquele sentimento de “olha que fofinhos que são os primitivos”. Um olhar que muitas vezes é aplicado ao Brasil.

Por sinal, Uma Vida Iluminada só não pode ser chamado de carnavalesco porque a idéia é sensibilizar, da trilha sonora tristonha (e étnica) à composição de muitas cenas. É um filme feito para que as mocinhas encham os olhos de lágrimas, para que os velhinhos lembrem de seus entes queridos, para que todos aqueles que se sentem diferentes, excluídos, minorias se sintam identificados. Na verdade, eu não acho que Liev Schreiber, que é um bom ator, tenha premeditado esse filme como o plano malvado que ele se tornou. Eu acho que ele caiu no conto do vigário. Ele também chorou ao ler o livro, lembrou de seus entes queridos e se sentiu identificado. Ele não fez por mal. Uma Vida Iluminada não é ruim e nem é perverso, é apenas esquecível.

Uma Vida Iluminada EstrelinhaEstrelinha
[Everything is Illuminated, Liev Schreiber, 2005]

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One thought on “Uma Vida Iluminada”

  1. Entrevistei o Jonathan Safran Foer, autor do livro, e ele disse que não gostou da versão pro cinema não. Aliás, o livro é bem interessante (se bem que, para quem não curte a literatura norte-americana mais jovem, cheia de gracinhas, deve ser um porre). Estou curioso pra ver o filme, mas acho que vou me decepcionar feio.

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