CURTAS BRASILEIROS

O II Panorama do Cinema Brasileiro, em Salvador, exibe uma série de curtas-metragens recentes produzidos no país. Alguns já exibidos em vários festivais e mostras pelo Brasil e/ou mundo afora. Outros nem tanto. Aqui vão alguns do que eu vi nos últimos
dias. Muito bem acompanhado, diga-se de passagem.

Afinação da Interioridade
Roberto Beliner, RJ, 35mm, 1′, 2001
Gilberto Gil e suas hesitações.

No Coração de Shirley
Edyala Yglesias, BA, Fic, 35mm, 20′, cor, 2002
O mundo da prostituição. Vai do humanista ao burocrático.

Zoando o Barraco
Allan Sieber, RJ, Ani, digital, cor, 2′, 2000
Exemplar da série que teve por base o delicioso Deus é Pai. Esse é legal. Nada demais.

O Corneteiro Lopes
Lazáro Farias, BA, Fic, 35mm, cor, 21′ , 2002
Produção caprichada, mas muito formal.

Deus é Pai
Allan Sieber, RJ, Ani, digital, cor, 4′, 1999
Segunda vez que chega à minha vista. Genial. Sem amarras.

Morte
José Roberto Torrero, SP, Fic, 35mm, 12′, cor, 2002
Inteligente e nem humorado. E triste ao mesmo tempo. Idéia fantástica, com dois atores excelentes.

O Fusca
Flávio Frederico, SP, Fic, 35mm, 12′, cor, 2002
Uma história construída sob vários pontos de vista. Você já viu isso em algum(ns) lugar(es). Bem feito.

Plano Seqüência
Patrícia Moran, SP, Fic, 35mm, 12′, cor, 2002
Já tinha visto. Boa idéia, bons momentos e bela montagem. Mas tem um quê cabeça que incomoda um pouco.

Onde Andará Petrúcio Felker?
Allan Sieber, RJ, Ani, 35mm, cor, 10″ 2001
Fantástico. Adoro quando destroem os cabeças.

A Lasanha Assassina
Ale Machado, SP, Ani, 35mm, 8′, cor, 2002
Lasanha esquecida na geladeira sofre mutações e devora uma família. Delicioso. Do mesmo diretor do ótimo Almas em Chamas.

Boca a Boca
Allan Ribeiro, RJ, 16mm, 17′, 2003
A mentira e suas conseqüências. Não emplaca e é mal dirigido.

Candeias: da Boca pra Fora
Celso Gonçalves, SP, Doc, 16mm, 17′, cor, 2002
Documentário sobre o revolucionário cineasta Ozualdo Candeias feito de uma forma que nunca seria usada pelo homenageado.

Não Perca a Cabeça
André Luiz de Luiz, SP, Fic, digital, 3′, cor, 2002
Nem vou falar de que cabéça se trata. Com Bárbara Paz.

Rolê
Ana Rosa Marques, Camilo Cavalcante e Tatiana Baruel, BA/SP, Doc, digital, 24′, 2003
Coisa de estudante ainda naquele clima de mostrar as mazelas sociais, encantando pelo MST e por Cuba. Atira pedras pra todos os lados e não acerta em nenhum. O pior de tudo é mostrar depoimentos de pessoas que “ouviram falar” como foi aquele confronto entre polícia e estudantes no Fórum Social. “Ouviram falar?”.

O Metro Quadrado
Flávia Cândida, RJ, Fic, 16mm, cor, 2002
Cinco pessoas precisam resolver um problema: o escritório está diminuindo. Faz uma homenagem às homenagens aos filmes noir, tipo Cliente Morto Não Paga. No meio do caminho, se perde, mas é divertido.

Daqui pra frente, curtas exibidos no programa Curtas Extremos. A maioria abraça o trash.

Palhaço Xupeta
André Sampaio, RJ, Fic, 16mm, cor, 1996
Não entendi às referências à Copa de 1970. Mas eu não gosto de futebol mesmo, então… No meio disso tudo, o Palhaço Xupeta vai animar uma festinha e acha medíocre a cena das criancinhas dançando Turma da Xuxa. Metralha de verdade todas elas com sua metralhadora de mentira. O que dizer mais.

Jugular
Fernanda Ramos, SP, 35mm, 5′, cor, 1997
Fórmula não muito original: fotografar os fotogramas e contar a história sem movimento. Aqui, o resultado é bem bonito visualmente e a história é legal.

Conrad – Bruxaria, Pajelança & Canibalismo
Luciano Maciel, SP, 35mm, Cor, 11′, 2003
Demônio quer virgem. Trash até o topo da escala. E o pior: tem até assistente de direção.

Kyrie (ou o Início do Caos)
Débora Waldman, SP, 35mm, Fic, cor, 15′, 98
Melhorzinho que o anterior, com demônios também (e a Júlia Feldens). Bela fotografia em azul.

Resgate Cultural – O Filme
Telephone Colorido e Pajé Limpeza, PE, Exp, cor, 16mm, 20′, 2001
O melhor de todos desta seleção. Ariano Suassuna é sequestrado por militantes que querem saber quem mateou Chico Science. O riquíssimo universo cultural de Pernambuco é pincelado numa história com clima de Hermes e Renato.

Bola 8
Allan Sieber, RJ, Ani, digital, cor, 5′, 2000
Sieber cai em sua própria armadilha e faz um filme preconceituoso.

Mera Abulia
Póla Ribeiro, BA, Fic/Exp, digital, cor, 13′, 1998
Fala demais por não ter nada a dizer.

A Hora Vagabunda
Rafael Conde, MG, Fic, 35mm, 17′, cor
Jovens sem rumo pelas ruas de BH. Conde já foi melhor em Françoise.

Castanho
Eduardo Valente, RJ, Fic, 35mm, 12′, cor, 2002
Até onde vamos para acreditar no que queremos. Eduardo Valente, o rapaz de Cannes e figurinha fácil nas mostras e festivais, faz um filme leve e inteligente sobre o não contentar-se de contente. Não vi Sol Alaranjado, infelizmente. Não posso comparar. Caprichada direção de arte e figurinos. Trilha dos Los Hermanos, o que, por si só, já ganha uma estrela.

Pureza Insolente
Paulo Tiago, BA, Fic, digital, cor, 10′, 2002
Somente (bela) trilha e (belas) imagens. Um menino, seu avô, um passarinho na gaiola. E o sol da Bahia. Quer mais?

Arte na Cidade Salvador
Danillo Barata, BA, doc, digital, 24′, 2003
Tenta estudar a arte contemporânea em Salvador. O formato é legal, mas a edição, irregular. O primeiro depoimento de um artista é longo e chato. Depois, fica mais interessante. O melhor é ver que quem faz arte ainda pensa em mudar o mundo. Gaio pinta a planta de casas em pontos de ônibus e sob viadutos para, de seu jeito, garantir a casa própria (e luxuosa) para quem vive na rua. Nem sempre se pode ser Deus, mas sempre se pode ser criativo.

Rotina
Mauro Hirata F. (este passou sem crédito no programa. Espero não ter errado o nome do diretor)
A rotina e suas conseqüências. Tenta ser legal, mas entedia. Bem feitinho.

Vinte e Cinco
Maria Ribeiro, RJ, fic, 35mm, 16′, cor, 2002
Pois é… esse aqui é o que eu menos esperava e o que mais me agradou. Logo um filme da Maria Ribeiro, aquela atriz lindinha que nunca me deu motivos para crer que tivesse talento. Maria faz uma reflexão divertida e nostálgica sobre os vinte e cinco anos, lembrando do tempo que já foi e do que ficou no caminho. Consegue alguns momentos de poesia sem ser cabeça e brinca com possibilidades de imagem e narração. Nada demais. Nada de menos. Quando mostra os flashbacks, o filme fica “de menininha” demais, mas quando volta para a narração em off consegue, muitas vezes, deliciar o espectador. Trilha dos Los Hermanos, o que, por si só…

Comentários

comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *